Sem Dragon Ball, esses 12 animes nunca existiriam
Poucas obras tiveram um impacto tão profundo na história dos animes quanto Dragon Ball. Criada por Akira Toriyama nos anos 1980, a obra não apenas se tornou um fenômeno mundial, como também ajudou a definir padrões narrativos, estéticos e comerciais que continuam sendo usados até hoje.
Mais do que um grande sucesso, Dragon Ball serviu como base para toda uma geração de criadores. Muitos dos animes mais populares das últimas décadas nasceram inspirados, direta ou indiretamente, por suas ideias, estruturas e personagens. A seguir, veja exemplos de animes que dificilmente existiriam da mesma forma, ou sequer existiriam, sem a influência deixada por Goku e companhia.
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One Piece
A jornada de Luffy para se tornar o Rei dos Piratas carrega o DNA de Dragon Ball em quase todos os capítulos. Eiichiro Oda, o criador, nunca escondeu sua profunda admiração por Toriyama, tratando-o como uma verdadeira divindade do mundo dos mangás. Essa conexão é visível na estrutura da narrativa, que mistura momentos de humor leve com combates épicos de proporções mundiais.
O protagonista, Monkey D. Luffy, herdou muito da pureza e da fome insaciável de Goku. Ambos são movidos por um senso de liberdade e pelo desejo de proteger seus amigos, mantendo um otimismo inabalável mesmo diante de vilões terríveis. É uma fórmula de personagem que se tornou padrão, mas que encontrou em Luffy sua evolução mais bem-sucedida.
Naruto
Masashi Kishimoto frequentemente cita Dragon Ball como sua maior fonte de inspiração durante a juventude. Para ele, a obra era mais do que entretenimento; era um guia de como construir um mundo onde o esforço individual supera o talento nato. O próprio design de Naruto Uzumaki, com seu icônico traje laranja, é uma homenagem direta ao tradicional uniforme da Escola Tartaruga usado por Goku.
A dinâmica de rivalidade entre Naruto e Sasuke também ecoa a eterna disputa entre Goku e Vegeta. Esse conceito do rival sombrio que começa como inimigo e acaba se tornando um aliado complexo foi aperfeiçoado por Toriyama. Kishimoto pegou esse tropo e o aprofundou emocionalmente, mas a base de como estruturar um conflito entre dois opostos veio diretamente dos combates entre saiyajins.
Bleach
Tite Kubo, o autor de Bleach, sempre foi vocal sobre como os vilões de Dragon Ball moldaram seu estilo de escrita. Personagens como Freeza e Cell estabeleceram o padrão de antagonistas que possuem múltiplas formas e uma aura de superioridade esmagadora. Kubo utilizou essa ideia para criar os Espadas e Aizen, focando em inimigos que forçam o protagonista a evoluir sob pressão extrema.
A progressão de Ichigo Kurosaki também segue o modelo de despertar poderes ocultos em momentos de desespero. Assim como a primeira transformação em Super Saiyajin em Namekusei mudou os rumos do anime, as mudanças de forma de Ichigo, especialmente suas transformações Hollow, servem como marcos narrativos cruciais. É um ritmo de história que depende diretamente da tensão criada pela busca por um novo nível de poder.
Gintama
Gintama é conhecido por ser o rei das paródias, e nenhuma obra é mais alvo de suas piadas do que Dragon Ball. A obra não apenas referencia os ataques e personagens, mas frequentemente dedica episódios inteiros a satirizar a lógica da franquia de Toriyama. No entanto, por trás das piadas, existe um respeito profundo pela obra que definiu o que é ser um samurai ou um herói no Japão moderno.
O autor Hideaki Sorachi expressou sua tristeza profunda com o falecimento de Toriyama, afirmando que cresceu dentro dos mundos criados por ele. Em Gintama, o humor serve para humanizar os heróis, mostrando que até os guerreiros mais poderosos têm vidas cotidianas ridículas. É uma visão que complementa o lado mais leve de Dragon Ball, que sempre teve um pé na comédia antes de se tornar puramente focado em lutas.
One-Punch Man
One-Punch Man funciona como uma paródia e, ao mesmo tempo, uma homenagem sincera ao gênero que Dragon Ball ajudou a criar. O protagonista, Saitama, é a conclusão lógica da busca incessante de Goku por poder: ele se tornou tão forte que a luta perdeu o sentido. A obra brinca com todos os tropos de vilões espaciais e transformações que Toriyama popularizou.
O design de muitos inimigos em One-Punch Man é uma referência direta aos vilões de Dragon Ball. Por exemplo, o personagem Boros é quase uma versão espelhada de um Super Saiyajin ou de um conquistador intergaláctico como Freeza. O anime usa o humor para questionar a obsessão com o aumento de força, mas entrega batalhas com um nível de animação que tenta honrar o impacto visual dos clássicos.
The Seven Deadly Sins
Nakaba Suzuki, o criador da obra, afirmou em várias entrevistas que Dragon Ball foi o motivo pelo qual ele decidiu se tornar um mangaká. Embora sua obra seja situada em um mundo de fantasia medieval inspirado nas lendas arturianas, a maneira como os personagens lutam é puramente “estilo Dragon Ball”. As trocas de golpes em alta velocidade e a destruição de montanhas são elementos constantes.
Um detalhe técnico muito específico que Suzuki herdou de Toriyama foi o uso de níveis de poder numéricos. Enquanto Dragon Ball usava os rastreadores (scouters) para medir o poder de luta, Seven Deadly Sins introduziu seu próprio sistema de medição para classificar os personagens. Isso ajuda a criar uma expectativa clara no leitor sobre quem é a maior ameaça em cena.
Demon Slayer
Demon Slayer se tornou um fenômeno global ao focar na jornada emocional de Tanjiro, mas a mecânica de seus combates deve muito aos clássicos. A ideia de respirações que amplificam as capacidades físicas dos espadachins é uma variação direta do controle de energia vital. É o método pelo qual personagens humanos conseguem enfrentar ameaças que, teoricamente, seriam impossíveis de vencer.
Embora a autora Koyoharu Gotouge tenha um estilo narrativo muito próprio e focado em laços familiares, a progressão dos vilões segue a lógica de escalada de poder. Cada Lua Superior apresenta um desafio que exige uma nova técnica ou um despertar de força súbito, algo que se tornou marca registrada após a Saga dos Saiyajins. O ritmo de treinamento intenso antes de uma grande batalha também é um elemento herdado da rotina de Goku e seus amigos.
My Hero Academia
Kohei Horikoshi criou um universo de super-heróis que, na superfície, parece beber muito dos quadrinhos americanos, mas sua estrutura narrativa é puramente inspirada em Dragon Ball. O conceito do “Símbolo da Paz”, All Might, é uma figura que exala a mesma confiança inabalável que Goku passava para seus aliados. Ele é o pilar de força que todos buscam alcançar, servindo como o objetivo máximo de poder.
As cenas de ação em My Hero Academia frequentemente utilizam o impacto visual de grandes explosões de energia e golpes que alteram o cenário ao redor. Horikoshi mencionou diversas vezes que o senso de escala das lutas de Toriyama foi o que o ensinou a desenhar o clímax de suas próprias batalhas. A ideia de que um herói deve sempre ir “além do limite” (Plus Ultra) é o mesmo princípio que movia Goku a cada nova saga.
Yu Yu Hakusho
Yoshihiro Togashi começou a escrever Yu Yu Hakusho exatamente quando Dragon Ball estava no auge de sua popularidade. No início, a obra era focada em casos sobrenaturais, mas rapidamente mudou para um foco total em artes marciais para competir no mercado da época. Essa transição foi uma resposta direta ao que o público da Shonen Jump queria: grandes torneios e técnicas de energia.
O Torneio das Trevas é frequentemente citado como um dos melhores arcos de competição da história, e ele só existe por causa do sucesso do Torneio de Artes Marciais de Dragon Ball. Togashi pegou a estrutura básica de chaves de luta e a elevou com apostas mais altas e consequências psicológicas mais pesadas. O Leigun de Yusuke Urameshi é, essencialmente, a versão espiritual do Kamehameha.
Fairy Tail
Hiro Mashima, o criador de Fairy Tail, é frequentemente associado ao estilo de Eiichiro Oda, mas a base de sua narrativa de combate remete diretamente a Dragon Ball. O protagonista, Natsu Dragneel, é o exemplo clássico do herói que come para lutar, uma característica de apetite voraz que se tornou marca registrada com Goku. A busca de Natsu pelo dragão Igneel também ecoa a estrutura de busca por um objetivo místico que movia os primeiros arcos das Esferas do Dragão.
A magia de Natsu, o Dragon Slayer, funciona como uma analogia às transformações Saiyajin, especialmente quando ele entra no modo Dragon Force. Esse estado de poder elevado, que altera sua aparência física e aumenta drasticamente sua aura, segue a lógica de evolução sob pressão que Toriyama mestreou. A ideia de que o poder de um guerreiro está ligado à sua linhagem e a um despertar interior é um dos fios condutores que unem as duas obras.
Black Clover
Black Clover é talvez um dos sucessos recentes que mais respeita a cartilha do shonen tradicional estabelecida nos anos 80. O autor, Yūki Tabata, criou em Asta um protagonista que compensa a falta de talento natural (ou magia) com um treinamento físico absurdo, remetendo aos treinos intensos de Goku em gravidade aumentada. A persistência inabalável de Asta e sua capacidade de gritar diante do perigo são heranças diretas da energia vibrante dos heróis de Toriyama.
A rivalidade entre Asta e Yuno é uma das mais equilibradas do gênero, espelhando a dinâmica entre o gênio prodígio e o trabalhador esforçado. Assim como Vegeta representava o orgulho da elite e Goku o guerreiro de classe baixa que o supera, Yuno e Asta personificam esse choque de realidades. Essa estrutura de crescimento mútuo através de uma competição saudável é o que mantém o motor da história girando, exatamente como acontecia na Saga Z.
Jujutsu Kaisen
Gege Akutami, a mente por trás de Jujutsu Kaisen, pertence a uma geração de autores que cresceu consumindo os clássicos e agora os desconstrói. Mesmo sendo uma obra com tons mais sombrios e psicológicos, a influência de Dragon Ball aparece na forma como as lutas são coreografadas. O foco na energia amaldiçoada funciona como uma versão moderna e mais complexa do sistema de Ki.
O autor participou ativamente de homenagens a Toriyama, redesenhando capas clássicas do mangá original para celebrar seu legado. Akutami entende que a base para o sucesso de um shonen moderno é uma combinação de personagens carismáticos com um sistema de combate que faça sentido interno. Sem o mapa deixado por Dragon Ball, o equilíbrio entre técnica e força bruta em Jujutsu Kaisen seria muito difícil de alcançar.
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📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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