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Antigo diretor de Far Cry diz que a Ubisoft se tornou “alérgica” a novas ideias

A Ubisoft vem enfrentando um período turbulento nos últimos anos, marcado por demissões, reestruturações internas e lançamentos que não alcançaram o público esperado. Para Alex Hutchinson, ex-diretor criativo de grandes franquias da empresa, parte desses problemas pode ser explicada por uma cultura corporativa cada vez mais avessa a riscos e pela perda de talentos veteranos.

Em entrevista ao PC Gamer, Hutchinson — que trabalhou como diretor criativo em Far Cry 4 e Assassin’s Creed 3 — afirmou que a Ubisoft já foi conhecida por um modelo de desenvolvimento que incentivava autonomia entre equipes, permitindo a criação de jogos ambiciosos em larga escala.

Segundo ele, esse cenário começou a mudar durante um período de forte crescimento na indústria, quando investimentos externos aumentaram e muitos profissionais experientes deixaram a empresa para fundar seus próprios estúdios.

Esse movimento incluiu o próprio Hutchinson, que cofundou a Typhoon Studios em 201, onde lançou Journey to the Savage Planet. De acordo com ele, a Ubisoft sempre manteve um equilíbrio entre sequências de franquias consolidadas e projetos inéditos — algo que teria diminuído nos últimos anos.

Ele afirma que a Ubisoft passou a rejeitar propostas mais experimentais, citando como exemplo o projeto Pioneer, um jogo espacial que teria elementos semelhantes aos de No Man’s Sky. O título chegou a ser discretamente referenciado em uma missão secundária de Watch Dogs 2, mas acabou ficando preso em desenvolvimento interno e nunca foi anunciado oficialmente.

Eles sempre tiveram um histórico de fazer sequências das franquias, mas também de apresentar algumas novidades”, comenta Hutchinson. “Eles se tornaram muito alérgico às novidades e, por isso, descartaram várias das nossas ideias, como quando eu estava trabalhando em Pioneer. Eles não tinham nada de novo para apresentar.”

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Para Hutchinson, a falta de novos projetos prejudicou a capacidade da Ubisoft de renovar seu catálogo. Mesmo quando a empresa tentou investir em propriedades inéditas, como Immortals Fenyx Rising, o alto custo de produção dificultou a recuperação do investimento.

O desenvolvedor também apontou que a Ubisoft teve dificuldades para se adaptar totalmente ao mercado digital, mantendo por muito tempo uma mentalidade próxima à de uma empresa tradicional de produtos físicos.

Enquanto isso, a companhia continua dependente de suas principais franquias. A série Assassin’s Creed permanece como o pilar mais consistente do catálogo recente, com lançamentos como Valhalla, Mirage e Shadows, enquanto outras marcas tradicionais tiveram intervalos maiores — como Far Cry, que não recebe um novo jogo desde 2021.

Com cancelamentos de projetos, mudanças de liderança e dificuldades comerciais recentes, Hutchinson acredita que a Ubisoft precisa passar por transformações importantes para recuperar seu fôlego criativo. Segundo ele, diversos fatores pequenos contribuíram para a situação atual, mas todos apontam para a necessidade de mudanças estruturais dentro da companhia.

Fonte: GamesRadar


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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