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Criadores de Dispatch afirmam que jogos precisam se focar mais em uma escrita boa do que narrativas complexas

A conversa sobre narrativa nos videogames há muito tempo é dominada por elogios amplos e muitas vezes vagos. “Ótima narrativa” é uma expressão comum em premiações e análises, mas raramente chegam ao ponto central do que realmente faz a narrativa de um jogo funcionar. Para os diretores criativos da AdHoc Studio, Nick Herman e Dennis Lenard, essa ambiguidade faz parte do problema.

Durante uma palestra na GDC Festival of Gaming, a dupla deixou um recado direto: uma boa narrativa em jogos começa com uma boa escrita. Pode parecer óbvio, mas o argumento vai contra uma tendência comum da indústria de priorizar roteiros criativos, caminhos ramificados ou apresentação cinematográfica em vez da qualidade das palavras em si.

Lenard explicou isso com uma comparação a outras mídias. Em séries e filmes, o público dificilmente tolera produções em que a trama é interessante, mas os diálogos são fracos. Nos jogos, porém, esse padrão costuma ser mais flexível.

Para a AdHoc, essa diferença de expectativa revela um problema maior: “narrativa” virou um termo guarda-chuva que mais confunde do que esclarece. Pode se referir a narrativa ambiental, estruturas não lineares, escolhas do jogador ou cenas cinematográficas. Tudo isso são ferramentas válidas, mas nenhuma garante, por si só, uma boa história.

Em vez disso, Herman e Lenard defendem que a base de uma grande narrativa é muito mais fundamental: diálogos memoráveis. Uma escrita forte cria personagens interessantes, e são esses personagens que formam as relações com as quais os jogadores realmente se importam. Sem esse núcleo, até o enredo mais elaborado corre o risco de soar vazio.

“Você precisa escrever palavras memoráveis. Palavras memoráveis ​​significam personagens memoráveis, e personagens memoráveis ​​significam relacionamentos memoráveis ​​com os quais as pessoas realmente se importarão”, comentou Herman. 

A própria abordagem do estúdio reflete essa filosofia. Em vez de construir uma trama complexa e depois encaixar personagens, a AdHoc optou por focar primeiro em personalidades ricas e envolventes dentro de uma estrutura de história mais simples. A ideia é que as interações momento a momento sustentem a experiência, permitindo que a narrativa funcione independentemente da sua complexidade estrutural.

Em uma indústria que frequentemente celebra escala, complexidade e liberdade do jogador, a visão da AdHoc é que uma boa escrita é o aspecto mais importante. Nada adianta um roteiro complexo se os jogadores não estiverem interessados no que está sendo dito pelos personagens.

Fonte: GameDeveloper


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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