8 animes que tentaram ser o novo One Piece — e não conseguiram
Desde que One Piece começou a ganhar força no fim dos anos 1990, a indústria de anime passou a perseguir um objetivo difícil: repetir um fenômeno que mistura longevidade, carisma, construção de mundo e apelo global. Ao longo dos anos, vários títulos surgiram com essa ambição, alguns com propostas muito próximas, outros apenas surfando na mesma onda de aventura e companheirismo. Mas poucos chegaram perto.
Isso não significa que esses animes sejam ruins. Muitos têm qualidades próprias, bases de fãs fiéis e até momentos memoráveis. O problema é que tentar ocupar o mesmo espaço de um gigante como One Piece costuma criar expectativas quase impossíveis de atender.
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Toriko
Houve um tempo em que Toriko era apresentado em pé de igualdade com os gigantes da época. A Shueisha investiu pesado no marketing, promovendo colaborações especiais com Dragon Ball e One Piece logo no início da sua adaptação para anime. A ideia era clara: habituar o público à presença do protagonista musculoso como um dos pilares da revista. No entanto, apesar do sucesso inicial e de um mundo criativo baseado em gastronomia, a obra nunca conseguiu furar a bolha global da mesma forma que os seus irmãos mais velhos.
No final, a obra terminou com uma sensação de potencial não totalmente explorado, sendo empurrada para um clímax apressado. Embora ainda seja recordada com carinho por uma base fiel de fãs, Toriko serve como um lembrete de que o apoio editorial massivo não garante a longevidade. O público é quem decide quem ocupa o trono, e não as campanhas de marketing, por mais agressivas que sejam.
Fairy Tail
No início, era quase impossível não comparar o traço de Hiro Mashima ao de Eiichiro Oda. Essa semelhança visual, aliada a um mundo de magos aventureiros e uma guilda que funcionava como uma família, fez com que muitos acreditassem que Fairy Tail seria o substituto natural para o vácuo de fantasia épica. A obra capturou uma audiência massiva rapidamente, vendendo milhões de volumes e estabelecendo-se como uma potência global que parecia imparável durante os seus primeiros anos.
Apesar de ter sido um sucesso comercial inegável e de possuir uma legião de fãs fiéis, a obra terminou com um sentimento de oportunidade desperdiçada para muitos críticos. Ela nunca conseguiu equilibrar o tom leve com a seriedade necessária para sustentar um universo tão vasto. No fim, Fairy Tail tornou-se uma excelente porta de entrada para novos leitores, mas ficou aquém da complexidade exigida para ser o sucessor definitivo do trono do género.
MÄR
MÄR surgiu numa época em que o conceito de isekai ainda não estava saturado, transportando um rapaz comum para um mundo de contos de fadas onde armas mágicas chamadas ÄRM ditavam o poder. A obra tinha todos os ingredientes de um clássico: um protagonista subestimado, um sistema de combate criativo e um vilão carismático com um plano de dominação mundial. Durante a sua exibição original, foi uma peça central na revista Shonen Sunday, tentando rivalizar com os gigantes da concorrência.
Hoje, a obra é raramente mencionada nas discussões sobre os grandes pilares do gênero. Ela sofreu com a falta de uma mitologia forte que sustentasse o interesse após o fim da publicação. Ao contrário das obras de Oda, que se tornam mais ricas à medida que relemos, MÄR desgastou-se rapidamente por ser demasiado direta. Acabou como um bom exemplo de como um sistema de poderes interessante não consegue carregar uma história que carece de substância temática.
Beelzebub
Beelzebub trouxe um tom de ar fresco ao misturar o género de delinquentes escolares com o sobrenatural, apresentando um valentão que se vê obrigado a criar o filho do Rei Demónio. A comédia era ácida, absurda e extremamente eficaz, conquistando rapidamente um espaço de destaque na revista. O potencial era imenso: a premissa permitia tanto momentos de humor escrachado quanto combates intensos, algo que poderia apelar a diversos tipos de público simultaneamente.
O cancelamento foi um golpe duro para quem via na obra um sucessor espiritual dos clássicos de comédia de ação. O final apressado deixou muitas pontas soltas e uma sensação de que a série foi vítima de um sistema editorial que tenta encaixar todas as histórias no mesmo molde de sucesso. Beelzebub provou que tentar ser o próximo One Piece através de combates genéricos pode ser o caminho mais rápido para perder o que torna um mangá especial.
Black Clover
Quando Black Clover estreou, foi recebido com um ceticismo quase agressivo pela comunidade internacional. O anime, em particular, foi criticado pela voz irritante do protagonista e pela colagem de elementos óbvios de Naruto e One Piece. Muitos previram que a obra seria apenas mais um projeto de curta duração, destinado a preencher as páginas da revista até algo realmente original aparecer. Parecia destinado a ser apenas uma sombra dos seus antecessores.
Apesar da sua evolução e de ter conquistado um lugar de respeito na indústria, a obra ainda luta para sair da categoria de “bom shonen” para se tornar um “fenômeno”. A animação inconsistente e a fadiga do género impediram que ela atingisse o topo absoluto. Black Clover é um sobrevivente que provou o seu valor, mas que talvez tenha chegado um pouco tarde demais para herdar o trono de uma geração que já estava a olhar para novas formas de narrativa.
World Trigger
World Trigger é frequentemente citado como um dos mangás mais inteligentes da Shonen Jump, graças ao seu sistema de combate tático e regras rigorosas. Aqui, a força de vontade não ganha lutas; o que vence é a estratégia, o trabalho de equipa e a gestão de recursos. Foi uma aposta ousada para ser um sucessor, oferecendo uma alternativa cerebral à pancadaria desenfreada que dominava a revista, prometendo uma guerra de invasão alienígena em larga escala.
Infelizmente, esse foco no detalhe tornou o ritmo da história demasiado lento. Arcos de treinamento extremamente longos e uma profusão de personagens secundários com nomes difíceis de memorizar dificultaram a criação de uma base de fãs explosiva. É uma obra-prima de design de jogo e estratégia, mas a sua densidade impediu-a de alcançar o apelo universal de uma aventura de piratas.
Radiant
Radiant é um caso único, sendo um “manfra” (mangá francês) que conseguiu o feito raro de ser adaptado para anime por um estúdio japonês. O autor, Tony Valente, nunca escondeu que One Piece é a sua maior inspiração, e isso nota-se no mundo de ilhas flutuantes e na abordagem de temas sociais pesados, como o racismo e a xenofobia, sob uma capa de aventura colorida. A obra foi recebida com grande expectativa como o primeiro grande sucessor internacional do estilo shonen de aventura.
Apesar das dificuldades da versão animada, o mangá continua a ser uma das melhores representações do espírito de Oda fora do Japão. No entanto, o facto de ser uma produção externa e ter um ritmo de publicação diferente impede que ele compita diretamente pelo trono da Jump. Radiant é uma prova de que o legado de One Piece é universal, mas também de que a tradução dessa essência para outros mercados e formatos é uma tarefa cheia de obstáculos.
Nanatsu no Taizai
Nanatsu no Taizai teve um início e tanto, chegando a superar One Piece em vendas semanais em determinados períodos no Japão. A premissa de um grupo de cavaleiros lendários com passados sombrios era fascinante, e o mundo inspirado nas lendas arturianas oferecia uma frescura bem-vinda. Meliodas e os seus companheiros tinham carisma de sobra, e o mistério sobre a verdadeira natureza dos personagens mantinha o público intrigado capítulo após capítulo.
No fim, a narrativa perdeu-se em reviravoltas confusas e num foco excessivo em romances melodramáticos que não ressoavam com todos. O que começou como uma promessa de renovar o gênero de fantasia medieval terminou de forma morna, deixando um legado misto. Serviu para mostrar que estar no topo é temporário, e que sem uma manutenção rigorosa da qualidade visual e narrativa, até os gigantes podem cair rapidamente.
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📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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