Análise | Pragmata mostra grande potencial como nova IP da Capcom
Sob o nome de Pragmata, temos aqui uma nova IP de ficção científica da Capcom que coloca os jogadores no papel de Hugh, um membro de uma equipe de investigação arruinada, e Diana, uma androide. Os jogadores devem explorar uma instalação lunar dominada por uma inteligência artificial hostil em uma jornada desesperada de volta à Terra. A instalação abriga uma pesquisa sobre um minério lunar que, se refinado, alimenta impressoras 3D capazes de criar praticamente qualquer coisa.
Na minha opinião, esta é uma nova IP bastante ousada da Capcom, que nos últimos anos focou prioritariamente em suas franquias de maior sucesso, como Resident Evil e Monster Hunter. No entanto, fica a dúvida: será que Pragmata vale a pena? A meu ver, trata-se de um ótimo jogo, com potencial de sobra para cativar uma nova base de fãs.
A trama se inicia com um grave acidente em uma instalação lunar, onde o protagonista encontra Diana, uma androide com aparência e personalidade de uma criança de oito anos. Essa inocência se reflete em suas interações, constantemente questionando o jogador sobre conceitos simples.
A história do jogo é muito boa, inclusive, notei que a escrita em Pragmata está muito superior à dos títulos recentes da Capcom (cof, cof, Resident Evil Requiem). O jogo entrega uma aventura de ação incrível que remete àquele termo que você provavelmente já leu por aí, o “simulador de pai triste”. Sem dar spoilers, a narrativa é, com certeza, um dos maiores trunfos da experiência.
O hack é fundamental em Pragmata

No combate, Hugh e Diana dependem completamente um do outro. Como o armamento principal é ineficaz contra os inimigos, os ‘bots’, o hackeamento de Diana torna-se a mecânica central do combate. Ao hackear, ela expõe as vulnerabilidades dos oponentes, permitindo que Hugh cause dano total. O ideal é priorizar os pontos fracos, identificáveis pelo brilho alaranjado, como as cabeças dos inimigos.
O tiroteio funciona muito bem e lembra bastante o estilo de Resident Evil, oferecendo um arsenal variado com pistolas, shotguns e rifles de carga. Mas o verdadeiro diferencial é o hackeamento em tempo real. Enquanto você desvia dos ataques usando os propulsores do traje, a Diana navega por um labirinto digital onde o objetivo é chegar no ícone em verde (como fosse o jogo da cobrinha).
No início, essa mecânica pode parecer estranha, já que exige o uso do quadrado, bola, triângulo e X do DualSense para navegar nas quatro direções. Além disso, o hackeamento oferece buffs com diversos efeitos. Um dos meus favoritos é o que superaquece os bots rapidamente, permitindo um ataque crítico, um tipo de tiro fatal à queima-roupa que causa um dano massivo ou elimina a maioria dos inimigos instantaneamente.
A Diana também tem uma habilidade suprema que usa a boa e velha barra de carga. Ao ser ativada, ela hackeia e causa dano a todos os inimigos próximos, um especial perfeito para momentos de sufoco ou contra chefes. E se você achar a mecânica de hackeamento padrão um pouco complicada, o jogo oferece um hack automático que consome essa mesma carga, agilizando muito o processo de combate.
Apesar do combate ser sólido e bem integrado ao hackeamento da Diana, um ponto me incomodou, pois certos inimigos são verdadeiras esponjas de dano (tem muita vida). Você precisa atirar muito e hackear repetidas vezes até conseguir eliminá-los. Isso acontece com certa frequência que, ao enfrentar vários deles ao mesmo tempo, a experiência cansa. Os chefes também possuem barras de vida enormes, então já se prepare para batalhas bem longas.
Apesar desses deslizes, as lutas contra os chefes são simplesmente insanas! Você enfrenta criaturas gigantescas disparando lasers para todos os lados. A sensação é a de estar em um souls-like: é preciso atenção total, já que qualquer erro pode ser fatal. E um detalhe importante: a animação de cura é lenta, então você precisa escolher o momento exato para se recuperar sem ser atingido.
A base em Pragmata é como se fosse a Firelink Shrine

Aqui a Capcom acertou em cheio, pois o coração de Pragmata é a sua base. Diferente de outros títulos onde o hub é apenas um menu simples, aqui ela é essencial e evolui conforme você derrota os chefes. É nela que o sistema LMS brilha: você coleta hologramas jogando e pode transformá-los em brinquedos reais, gerando interações leves com a Diana que ajudam a construir a relação entre os dois.
A base será sua melhor amiga, pois centraliza todo o sistema de upgrades. Você pode melhorar armas, defesa e as habilidades de hack da Diana. Existem módulos que ocupam espaços limitados, funcionando quase como um sistema de perks. Além disso, durante o hack, existem nodos que liberam bônus variados, como o de superaquecimento que mencionei antes.
Nessa mesma base, existe um simulador de combate onde você pode cumprir desafios para obter itens de upgrade ou uma moeda especial. Essa moeda pode ser trocada com um NPC em um mini-game de bingo para liberar novos trajes para Hugh e Diana. Mas fica a dica: no começo, foque em comprar cápsulas de cura. Você começa o jogo com apenas uma, e ela recupera pouquíssima vida.
Outro aspecto interessante em Pragmata é que as armas são descartadas quando acaba a munição. Na base, você pode imprimir armas e equipá-las antes de partir para o objetivo. Há também diversas armas espalhadas que podem ser coletadas durante a jogatina. Além disso, existe um tipo de arma especial com foco defensivo; por exemplo, uma delas cria um clone para atrair a atenção dos inimigos.
Exploração em Pragmata deixou a desejar

É aqui que, na minha opinião, o jogo perde um pouco de fôlego. O início em si é bastante fascinante, pois você explora uma base lunar até chegar a uma área que simula Nova York, cheia de falhas propositais. Essa é a melhor parte, mas depois de certo ponto, o ritmo não se mantém.
O design dos mapas se torna simplista e falta criatividade visual. A sensação é de estar preso naqueles laboratórios genéricos de paredes brancas que vemos no final de quase todo Resident Evil. Para tentar quebrar a monotonia, o jogo espalha paredes ilusórias e as Salas Vermelhas (precisa de chave), áreas de desafio com ondas de inimigos e recompensas valiosas.
Outro ponto fraco são os hologramas básicos usados para contar certas história. Parece uma solução preguiçosa para entregar informações importantes, sem o peso cinematográfico que a premissa do jogo prometia. Os hologramas estão presentes em diversos momentos do jogo, do começo ao fim, mas vale ressaltar que ainda há momentos cinematográficos importantes entre Hugh e Diana.
O jogo é bastante linear e a exploração é bem simples. Ou você vai direto ao objetivo, ou entra na porta ao lado para buscar itens, e essa estrutura segue até o fim. A Capcom poderia ter trabalhado melhor a exploração e a variedade dos cenários. De qualquer forma, tenho certeza de que você vai ficar encantado com a Nova York falsa.
Pragmata se destaca em vários aspectos

Agora, algo simples, mas que sumiu de muitos jogos ultimamente, é a liberdade de progressão. O sistema de seleção de fases é direto ao ponto: se você esqueceu um item ou quer revisitar uma área para coletar algo, o jogo permite isso sem complicações. É uma facilidade que respeita o seu tempo e incentiva o backtracking sem ser punitivo.
Eu achei a duração ideal, pois nem é curto, nem gigante. Levei exatamente 12 horas para concluir a campanha na dificuldade padrão. Vale ressaltar que, de início, apenas o Fácil e o Padrão estão liberados; o desafio extra vem depois de zerar (uma nova dificuldade).
Além disso, temos o bom e velho New Game+, que funciona como em Resident Evil, onde você mantém seus upgrades para uma nova jornada. E, como já é costume da Capcom, o jogo está totalmente dublado em português. O trabalho está excelente, com um destaque especial para a voz da Diana, que passou perfeitamente a inocência da personagem.
Pragmata entrega excelente otimização

Tive a oportunidade de jogar Pragmata no PS5 base e o resultado foi excelente. O jogo rodou muito bem e não notei problemas graves ou quedas frequentes de frames. Ele oferece os modos Desempenho e Qualidade, e o melhor: ambos rodam em 60 FPS (ou mais). O jogo é bem nítido a resolução aparenta estar em 1200p com upscale para 4K.
Por outro lado, notei que este é mais um título que deve mudar drasticamente com o Path Tracing/Ray Tracing ativado. Devido aos cenários e inimigos meio metalizados, os reflexos no PS5 base parecem estranhos, claramente rodando na configuração mínima. Acredito que o jogo vá se beneficiar muito no PC e no PS5 Pro, mas, no fim das contas, a experiência no console base ainda é muito sólida.
Veredito final

Como um grande fã da Capcom e apaixonado por Resident Evil, fiquei de olho em Pragmata desde o primeiro anúncio, ainda mais por abordar o tema de IA, que está tão em alta. Indo direto ao ponto: eu gostei bastante do jogo, mas sinto que ele poderia ter entregado um pouco mais. De qualquer forma, acredito que ele tem tudo para conquistar o público. No geral, a dinâmica entre os protagonistas é um ponto alto, mas o título peca em cenários pouco inspirados e combates que, por vezes, tornam-se exaustivos devido à resistência excessiva dos inimigos.
NOTA: 90/100
Pontos Positivos:
- Diana é a alma do jogo: carismática e essencial para a narrativa
- História envolvente com uma dinâmica de pai e filha emocionante
- Combate estratégico: exige atenção total às mecânicas de hackeamento
- Variedade: boa diversidade de armas e tipos de inimigos
- Performance: excelente desempenho no PS5 com gráficos de alta qualidade
- Localização: dublagem em português brasileiro de alto nível
Pontos Negativos:
- Inimigos esponjas de dano: o excesso de vida de alguns oponentes pode cansar
- Level Design: mapas muito simples que carecem de criatividade visual
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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