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10 coisas que GTA 6 parece ter herdado de Red Dead Redemption 2

Red Dead Redemption 2 marcou uma mudança importante na maneira como a Rockstar constrói seus mundos abertos. Lançado em 2018, o jogo não chamou atenção apenas pelo tamanho do mapa ou pelos gráficos, mas principalmente pela quantidade de sistemas que funcionavam paralelamente: Arthur tinha atributos próprios, precisava administrar seus equipamentos, podia conversar de maneiras diferentes com desconhecidos e era julgado pelo mundo de acordo com suas ações.

Agora, algumas dessas ideias parecem estar chegando a Grand Theft Auto VI (GTA 6). Os trailers oficiais já indicavam um mundo mais detalhado e populoso, mas os recentes vídeos de gameplay vazados mostraram elementos que lembram ainda mais o design adotado pela Rockstar em Red Dead Redemption 2.

É importante fazer uma ressalva: a Rockstar ainda não explicou oficialmente a maior parte desses sistemas. Alguns deles aparecem em materiais que teriam sido capturados em versões antigas do jogo, inclusive builds atribuídas a 2023 ~ 2025, portanto interface, funcionamento e até determinadas mecânicas podem ter sido modificados ou completamente removidos durante o desenvolvimento.

Ainda assim, juntando os vídeos recentes com informações oficiais, existem pelo menos dez aspectos em que GTA 6 parece seguir a filosofia adotada pela Rockstar em Red Dead Redemption 2.

1. Um possível sistema de moralidade

Uma das descobertas mais interessantes dos recentes vazamentos envolve um pequeno ícone que apareceu durante uma sequência particularmente violenta. No vídeo, Jason entra em confronto com um motorista e continua atacando o NPC depois de derrubá-lo. Pouco depois, um símbolo semelhante a um pequeno demônio aparece na interface.

A interpretação mais comum é que GTA 6 pode acompanhar determinadas ações negativas do jogador. Ainda não sabemos se isso será realmente chamado de “moralidade”, “karma”, reputação ou outra coisa, mas a comparação com Red Dead Redemption 2 é inevitável.

Em RDR2, a Honra de Arthur Morgan era diretamente afetada pelo comportamento do jogador. Ajudar desconhecidos, demonstrar misericórdia e realizar determinadas ações aumentava a Honra, enquanto assassinatos gratuitos, roubos e outras atitudes cruéis produziam o efeito contrário.

Isso não significa necessariamente que Jason e Lucia terão uma barra de Honra idêntica à de Arthur. Grand Theft Auto tradicionalmente oferece mais liberdade para provocar caos sem julgamento moral permanente. Mesmo assim, caso o símbolo realmente represente algum tipo de reputação, seria uma das heranças mais evidentes de Red Dead Redemption 2 dentro de GTA 6.

2. Ações secundárias aparentemente melhoram atributos

Outro vídeo vazado mostra Jason jogando basquete próximo de uma propriedade à beira-mar. Depois de acertar uma cesta, a interface indica um pequeno aumento de “Focus”, aparentemente de 2%.

Esse detalhe chama atenção porque transforma uma atividade secundária em algo potencialmente útil para o personagem. Em vez de o basquete existir apenas como passatempo, jogar bem aparentemente pode contribuir para a evolução de algum atributo.

Essa filosofia lembra bastante Red Dead Redemption 2. Arthur possui sistemas de Vida, Fôlego e Olhos da Morte, com barras e núcleos associados ao seu desempenho. O próprio jogo recompensa determinadas ações e progressão com melhorias nesses atributos, fazendo com que atividades do cotidiano tenham impacto além da simples ambientação.

Ainda não está claro o que exatamente “Focus” fará em GTA 6. Pode estar ligado à mira, combate, percepção ou até substituir algum conceito semelhante ao Dead Eye. O ponto mais interessante, por enquanto, é a indicação de que pequenas atividades espalhadas por Leonida talvez estejam conectadas diretamente à evolução de Jason e Lucia.

3. O fôlego pode voltar a ser um recurso importante

Entre os elementos identificados na interface das builds vazadas também estaria um sistema relacionado ao fôlego ou stamina. Isso não seria completamente novo para Grand Theft Auto, já que títulos antigos da franquia trabalharam com atributos físicos, especialmente GTA: San Andreas.

A diferença é que, dentro de um jogo moderno da Rockstar, o exemplo mais recente e elaborado está justamente em Red Dead Redemption 2. O Fôlego de Arthur afeta quanto tempo ele consegue correr e realizar determinadas ações antes de ficar cansado, enquanto seu estado geral interfere na recuperação das barras.

A Rockstar construiu boa parte do ritmo de RDR2 sobre esse tipo de administração discreta. O jogador não precisa constantemente abrir menus para gerenciar números, mas seus atributos influenciam movimentação, combate e exploração durante toda a campanha.

Se GTA 6 realmente ampliar o uso de stamina, a Rockstar pode estar buscando um equilíbrio semelhante. Em vez de Jason e Lucia correrem indefinidamente sem consequências relevantes, características físicas poderiam novamente fazer parte da progressão, especialmente se esportes e outras atividades servirem para melhorar esses atributos.

4. O carro pode funcionar como o cavalo de Red Dead Redemption 2

Talvez a comparação mais curiosa esteja nos veículos. Informações encontradas nos materiais vazados indicam que carros podem possuir espaço próprio para guardar objetos e armas, criando uma separação entre aquilo que o personagem carrega e o que está armazenado no veículo.

Quem jogou Red Dead Redemption 2 provavelmente entende imediatamente a semelhança. O cavalo de Arthur não era apenas transporte. Ele funcionava quase como uma extensão do inventário do personagem, permitindo acessar armas e outros itens que não estavam permanentemente disponíveis nas mãos do protagonista.

Isso também modificava a preparação para determinadas situações. Em RDR2, afastar-se do cavalo significava não ter necessariamente acesso a todo o arsenal adquirido durante a campanha. A Rockstar chegou a implementar um menu específico do cavalo para acessar equipamentos armazenados na montaria.

Um sistema semelhante aplicado aos carros seria bastante interessante em GTA 6. Em vez de Jason ou Lucia carregarem dezenas de rifles, explosivos e armas pesadas de maneira invisível, parte do equipamento poderia ficar no porta-malas. Além de adicionar realismo, isso obrigaria o jogador a pensar um pouco mais sobre o veículo escolhido antes de determinados crimes.

5. Um arsenal mais limitado nas mãos do personagem

A possível utilização dos veículos como armazenamento também reforça outra característica que parece aproximar GTA 6 de Red Dead Redemption 2: um inventário de armas mais físico.

Nos jogos anteriores de Grand Theft Auto, o protagonista pode carregar uma quantidade enorme de armamentos simultaneamente. Pistolas, submetralhadoras, rifles, escopetas, lança-foguetes e explosivos coexistem no inventário sem qualquer preocupação com espaço.

Red Dead Redemption 2 adotou outra abordagem. Arthur carregava armas menores no corpo e normalmente selecionava armas longas armazenadas no cavalo. A própria Rockstar destacou antes do lançamento a importância da escolha e da personalização do arsenal, e o sistema acabou ajudando a integrar os equipamentos visualmente ao personagem.

Os materiais de GTA 6 vistos até agora sugerem uma preocupação parecida. Caso a versão final mantenha essa ideia, escolher o equipamento antes de entrar em uma missão ou abandonar um carro poderá ser mais importante do que em GTA V. Seria uma mudança considerável para a franquia, mas completamente coerente com o caminho adotado pela Rockstar depois de RDR2.

6. A polícia pode prestar mais atenção em quem cometeu o crime

Outro ponto particularmente interessante está no possível funcionamento da polícia. Análises dos materiais vazados indicam que o sistema pode levar em consideração elementos como aparência, roupa e veículo utilizado pelo jogador enquanto as autoridades tentam identificá-lo.

Isso lembra bastante a maneira como crimes e testemunhas funcionam em Red Dead Redemption 2. Um delito poderia ser presenciado por alguém, que então tentaria comunicar às autoridades. Dependendo das circunstâncias, o jogador ainda tinha oportunidades para impedir a denúncia ou evitar uma identificação imediata.

Essa diferença é importante porque transforma a polícia em algo um pouco mais elaborado do que inimigos que simplesmente aparecem depois que uma estrela surge no canto da tela. Em RDR2, existia uma pequena cadeia de acontecimentos entre cometer o crime, ser testemunhado, ser identificado e finalmente ter as autoridades procurando Arthur.

Ainda não sabemos até onde GTA 6 pretende levar isso. Mas se trocar de carro, abandonar determinado veículo ou modificar a aparência realmente tiver efeito durante uma perseguição, fugir da polícia poderá envolver decisões mais interessantes do que simplesmente desaparecer do raio de busca mostrado no minimapa.

7. NPCs parecem fazer parte de sistemas, não apenas da decoração

Uma das características mais lembradas de Red Dead Redemption 2 é a maneira como o jogador pode interagir com praticamente qualquer pessoa encontrada pelo caminho. Arthur pode cumprimentar, provocar ou reagir aos habitantes, e essas pequenas interações frequentemente desencadeiam respostas diferentes.

O objetivo não era transformar cada cidadão em um personagem importante para a história. A função dessas interações era fazer o mundo parecer menos estático. Um desconhecido poderia responder educadamente, ficar irritado, iniciar uma discussão ou reagir de maneira completamente diferente dependendo da situação.

Os trailers oficiais de GTA 6 já dão bastante destaque à população de Leonida, mostrando praias cheias, festas, estabelecimentos movimentados, pessoas usando celulares e situações acontecendo independentemente dos protagonistas. Os vídeos vazados também mostram NPCs reagindo a acidentes, confrontos e outros acontecimentos próximos.

8. Pequenas ações parecem ter consequências maiores

Red Dead Redemption 2 ficou conhecido por conectar sistemas que, isoladamente, poderiam parecer insignificantes. Um roubo poderia gerar uma testemunha; a testemunha poderia procurar a polícia; o jogador poderia tentar intimidá-la; a situação poderia sair do controle e terminar com uma recompensa pela cabeça de Arthur.

Esse tipo de reação em cadeia fazia o mundo funcionar de maneira relativamente previsível sem depender exclusivamente de eventos roteirizados. Até ações simples poderiam produzir situações inesperadas porque diferentes sistemas estavam funcionando simultaneamente.

Os materiais de GTA 6 sugerem que a Rockstar continua interessada nessa filosofia. Uma batida de carro pode provocar a reação de um motorista, que pode iniciar uma briga; atacar esse personagem pode aparentemente interferir em algum sistema de moralidade; e a presença da polícia pode posteriormente transformar tudo em uma perseguição.

Essa é uma diferença aparentemente pequena, mas importante. Em vez de construir apenas um mapa maior com mais conteúdo, a Rockstar parece interessada em aumentar a quantidade de relações entre os sistemas de Leonida. Esse foi justamente um dos fatores que fizeram Red Dead Redemption 2 continuar produzindo situações diferentes mesmo depois de centenas de horas.

9. Dinheiro pode estar mais integrado à vida dos protagonistas

Um detalhe bastante curioso dos vídeos recentes é a presença de dois valores relacionados a dinheiro na interface. Uma das interpretações é que GTA 6 possa diferenciar o dinheiro carregado pelo personagem daquele armazenado em casa ou em outro local.

Ainda não existe explicação oficial para esses números e, portanto, não é possível afirmar exatamente como funcionarão. Mas a simples existência de diferentes valores sugere uma economia um pouco mais estruturada do que o saldo único normalmente utilizado pela série.

Red Dead Redemption 2 também dava importância maior ao dinheiro dentro da rotina do personagem. Arthur podia contribuir com o acampamento, comprar melhorias, adquirir suprimentos, cuidar do cavalo, personalizar armas e gastar com diversas necessidades relacionadas ao mundo.

GTA 6 obviamente acontece em um contexto completamente diferente, mas a filosofia pode ser semelhante. Jason e Lucia são apresentados oficialmente como criminosos tentando melhorar de vida e envolvidos em uma conspiração que se espalha por Leonida. Caso dinheiro, propriedades e recursos tenham peso maior na progressão, a economia poderá finalmente voltar a ser relevante durante boa parte da campanha, e não apenas nos primeiros momentos do jogo.

10. A Rockstar parece novamente priorizar um mundo extremamente reativo

Mais importante do que qualquer mecânica isolada é a filosofia por trás delas. Red Dead Redemption 2 foi desenvolvido em torno da ideia de que praticamente tudo no mundo deveria reagir de alguma maneira ao jogador.

Isso aparecia nos sistemas grandes, como Honra e procurados, mas também em coisas pequenas: testemunhas, animais, cavalos, moradores, equipamentos, roupas e atividades tinham comportamentos próprios. Muitos desses elementos se cruzavam e davam ao jogo uma sensação de consistência difícil de reproduzir apenas com missões roteirizadas.

O que vimos oficialmente de GTA 6 aponta para uma ambição semelhante. A Rockstar descreve o novo título como sua maior evolução imersiva da franquia, enquanto Vice City e o restante de Leonida aparecem preenchidos por personagens, estabelecimentos, praias, estradas, áreas rurais e atividades. Jason e Lucia também possuem histórias pessoais muito mais detalhadas do que aquilo que normalmente era divulgado tão cedo sobre protagonistas de GTA.

Os vazamentos reforçam justamente essa impressão. Moralidade, atributos, armazenamento em veículos, atividades que melhoram estatísticas, sistemas policiais mais detalhados e diferentes formas de administrar recursos parecem peças de uma mesma proposta. Ainda precisamos esperar pela versão final para saber quantas dessas ideias sobreviveram ao desenvolvimento, mas tudo indica que GTA 6 não está ignorando as lições aprendidas com Red Dead Redemption 2.

GTA 6 não precisa virar Red Dead Redemption 2 moderno

As semelhanças não significam que a Rockstar simplesmente transportará os sistemas de Red Dead Redemption 2 para Vice City. O ritmo das duas franquias sempre foi bastante diferente. GTA permite perseguições rápidas, explosões, aviões, carros esportivos e uma quantidade de caos que simplesmente não existe da mesma maneira no Velho Oeste.

O desafio será justamente adaptar essas ideias sem transformar ações simples em tarefas desnecessariamente demoradas. Um sistema de inventário mais limitado pode deixar assaltos mais interessantes, por exemplo, mas também pode frustrar quem está acostumado a trocar instantaneamente entre dezenas de armas.

O mesmo vale para combustível, stamina, identificação policial e outros elementos encontrados nos materiais vazados. A Rockstar precisará decidir até onde o realismo melhora a experiência e em que momento começa a atrapalhar a liberdade que sempre definiu Grand Theft Auto.

Por enquanto, entretanto, existe uma impressão bastante clara: Red Dead Redemption 2 parece ter funcionado como um grande laboratório para algumas das ideias que agora podem evoluir dentro de GTA 6. Saber exatamente o quanto dessa influência chegou à versão final será uma das questões mais interessantes quando a Rockstar mostrar o jogo de maneira mais detalhada.

Grand Theft Auto VI será lançado em 19 de novembro de 2026 para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A Rockstar ainda não anunciou oficialmente uma versão para PC. A empresa também confirmou uma apresentação estendida do jogo para 27 de agosto de 2026.


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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