DLSS 5 reacende debate: IA pode dificultar preservação de jogos e dividir a “experiência coletiva”
O anúncio do DLSS 5 pela Nvidia continua repercutindo, e não apenas entre jogadores. A nova geração da tecnologia de upscaling com IA, descrita pela empresa como um dos maiores avanços desde o ray tracing em tempo real, também acendeu um alerta importante no campo da preservação de jogos.
Segundo Chloe Appleby, curadora do Powerhouse Museum, a adoção crescente de soluções baseadas em inteligência artificial pode complicar, e muito, o trabalho de arquivar e exibir games no futuro. Em entrevista ao site GadgetGuy, ela levantou uma questão central: afinal, qual versão de um jogo deve ser preservada?
Isso acontece porque tecnologias como o DLSS 5 permitem diferentes experiências visuais dependendo do hardware ou até das preferências do jogador. Com a opção de ativar ou desativar recursos de IA, dois usuários podem ter percepções visuais bastante distintas de um mesmo título.
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“Se essas novas tecnologias de IA se tornarem essenciais para criar e jogar jogos, elas têm o potencial não só de adicionar mais uma camada de complexidade em relação aos direitos autorais, mas também de levantar questões sobre qual versão de um jogo deve ser preservada”, disse ela. “Devemos manter o DLSS ativado e desativado? A versão do DLSS 5 é consistente entre os jogadores e, caso contrário, qual versão representa a experiência coletiva?”
Além do dilema técnico, há também uma preocupação artística. Para a curadora, o uso de IA pode acabar alterando a visão original dos desenvolvedores, criando versões que se distanciam da intenção da equipe criativa. Isso também impacta diretamente o trabalho de museus, que precisam decidir como apresentar essas obras ao público no futuro.
“As experiências e intenções tanto do criador quanto do jogador mudam significativamente com essa tecnologia, o que impacta as justificativas e interpretações curatoriais”, explicou ela. “Em um contexto de exposição, como apresentar essa tecnologia juntamente com o jogo? Se for imprescindível exibi-la, a intenção do criador ou a memória coletiva do público serão comprometidas?”
Para o pesquisador Brendan Keogh, da Queensland University of Technology, ainda não está claro se a tecnologia terá impacto real no desenvolvimento de jogos. Ele destaca, no entanto, que a reação do público pode ser decisiva.
“O importante é que os jogadores expressem abertamente o desejo de jogos feitos por seres humanos de verdade, que não exijam o desmatamento de florestas inteiras e o uso de quantidades enormes de água só para renderizar sombras ruins”, disse Keogh. “Uma pintura não é automaticamente melhor por ter mais cores, e um videogame não é automaticamente melhor por ter mais pixels.”
Apesar das críticas, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, minimizou a repercussão negativa e afirmou que os críticos da tecnologia estão “completamente errados”.
Fonte: VGC
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📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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