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9 cenas absurdas dos videogames que um remake não pode apagar
Remakes podem corrigir controles ruins, atualizar gráficos, reescrever diálogos e até reorganizar partes inteiras de um jogo. O problema começa quando essa modernização também tenta eliminar algumas das esquisitices que ajudaram a tornar o original memorável.
Existem cenas que provavelmente jamais seriam aprovadas da mesma maneira em uma produção atual. Algumas são propositalmente exageradas; outras envelheceram de uma forma bastante peculiar. Em ambos os casos, acabaram se tornando inseparáveis dos jogos em que apareceram.
Para esta lista, há uma regra importante: apenas jogos que ainda não receberam um remake oficial até agosto de 2026 foram considerados. Remasters, ports, versões HD e relançamentos não contam como remakes. Então confira 9 cenas absurdas dos videogames que um remake não pode apagar.
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1. Chris Redfield resolve um problema socando uma pedra — Resident Evil 5
É difícil começar por outra.
Nos momentos finais de Resident Evil 5, Chris Redfield e Sheva Alomar enfrentam Albert Wesker em uma área cercada por lava. Em determinado momento, Chris precisa abrir caminho, mas existe uma enorme pedra bloqueando sua passagem. Ele primeiro tenta empurrá-la. Como isso não funciona, começa a socar a pedra com as próprias mãos.
Depois de uma sequência de golpes, Chris consegue movimentar a rocha e utilizá-la para continuar avançando. Não existe qualquer tentativa particularmente convincente de explicar como um ser humano seria capaz de fazer aquilo. O resultado acabou se tornando uma das cenas mais conhecidas de toda a franquia.
A própria Capcom já reconheceu a piada. Em Resident Evil Village, Heisenberg provoca Chris mencionando seu histórico com pedras. A desenvolvedora voltou a brincar com o assunto anos depois, mostrando que também sabe exatamente o tamanho que essa cena ganhou entre os fãs.
Curiosamente, Resident Evil 5 ainda não recebeu um remake. A Capcom anunciou Resident Evil Veronica como sua próxima grande reimaginação da saga, enquanto informações sobre um possível retorno de RE5 continuam restritas a rumores e especulações.
Caso o jogo seja reconstruído algum dia, é fácil imaginar mudanças significativas em sua abordagem. A pedra, porém, deveria permanecer. Podem mudar a animação, aumentar a brincadeira ou inventar alguma justificativa para a força de Chris. O importante seria não fingir que aquilo nunca aconteceu.
2. A risada desconfortável de Tidus — Final Fantasy X
A famosa risada de Tidus costuma aparecer fora de contexto em compilações de momentos constrangedores dos videogames.
Dentro de Final Fantasy X, entretanto, existe uma explicação. Tidus está conversando com Yuna e os dois tentam afastar, pelo menos temporariamente, o peso das situações que enfrentam. Ele então começa a produzir deliberadamente uma gargalhada exagerada e artificial. Yuna acompanha a brincadeira.
O resultado é um longo: “HA! HA! HA! HA! HA!” A interpretação é tão estranha que se transformou em meme, mas a própria cena deixa claro que aquela risada deveria soar falsa. Pouco depois, Tidus e Yuna riem normalmente.
Isso é importante porque um eventual remake de Final Fantasy X poderia cair na tentação de “corrigir” uma das cenas mais ridicularizadas do jogo e acabar alterando justamente aquilo que o momento tentava transmitir.
Até agora, a Square Enix optou por atualizar FFX por meio de remasters. Em julho de 2026, por exemplo, Final Fantasy X/X-2 HD Remaster ganhou uma versão para Nintendo Switch 2. Um remake completo, porém, não foi anunciado.
Se isso mudar algum dia, Tidus precisa continuar rindo daquele jeito.
3. Dante tentando aproveitar sua pizza enquanto tudo é destruído — Devil May Cry 3
A introdução de Devil May Cry 3 explica Dante antes mesmo que seja necessário explicar a história.
O personagem está tranquilamente em seu estabelecimento com uma pizza quando demônios aparecem para matá-lo. Dante é atacado, atravessado por armas e tem boa parte do lugar destruída. A maior preocupação dele parece continuar sendo a comida.
A sequência rapidamente se transforma em uma coreografia absurda na qual Dante utiliza armas, inimigos e até objetos do cenário enquanto mantém a atitude de alguém que está apenas sendo incomodado durante o jantar.
É justamente essa combinação de exagero e completa falta de preocupação que estabelece a personalidade da versão mais jovem do personagem. Devil May Cry 3 recebeu diversas versões desde sua estreia no PS2, incluindo a Special Edition, coletâneas em HD e uma edição para Nintendo Switch. Nenhuma delas é um remake.
Existem especulações frequentes envolvendo a possibilidade de a Capcom revisitar os primeiros Devil May Cry, mas nada transforma DMC3 em um remake anunciado até agora.
Uma nova versão poderia melhorar bastante a encenação dessa abertura. Só não deveria tentar deixá-la mais séria.
4. Asura enfrenta um inimigo maior que o planeta — Asura’s Wrath
Asura’s Wrath não demonstra muito interesse pela palavra “moderação”.
Um dos melhores exemplos aparece no confronto contra Wyzen. Inicialmente, Asura enfrenta um adversário grande, mas ainda dentro daquilo que se poderia esperar de um jogo de ação exagerado. A situação muda quando Wyzen começa a aumentar de tamanho. E continua aumentando….
Sua forma Gongen Wyzen eventualmente fica tão grande que o planeta parece pequeno ao seu lado. O inimigo então tenta esmagar Asura usando apenas um dedo. Asura responde tentando impedir o ataque. É importante lembrar que isso não acontece no grand finale. É um dos primeiros grandes confrontos do jogo.
A cena define perfeitamente a escala adotada por Asura’s Wrath: se existe uma maneira razoável e uma maneira completamente desproporcional de mostrar alguma coisa, o jogo praticamente sempre escolhe a segunda.
Mesmo tendo construído uma pequena base de fãs ao longo dos anos, o título da CyberConnect2 e Capcom continua sem remake ou mesmo um remaster moderno oficial. Pedidos pelo seu retorno aparecem regularmente entre os jogadores.
Uma reimaginação poderia melhorar seu sistema de combate e reduzir a dependência de QTEs, mas diminuir a escala dessas batalhas seria mexer justamente no que diferencia o jogo.
5. O Coronel manda Raiden desligar o videogame — Metal Gear Solid 2
As coisas ficam progressivamente estranhas nas últimas horas de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty.
Raiden começa a receber transmissões cada vez mais sem sentido pelo Codec. O Coronel Campbell, que durante boa parte da aventura orientou o personagem, passa a dizer coisas completamente aleatórias.
Em uma delas, Campbell simplesmente ordena: “Raiden, desligue o console agora mesmo.” O jogo tenta convencer o próprio jogador a desligar o PlayStation 2. Em outros diálogos, o Coronel começa a falar frases sem qualquer lógica, incluindo o famoso “I need scissors! 61!”, enquanto Raiden tenta entender o que está acontecendo.
Existe uma explicação narrativa para tudo isso: o Campbell com quem Raiden estava conversando era uma inteligência artificial, e o sistema estava começando a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos. O resultado, porém, funciona justamente porque Metal Gear Solid 2 atravessa a barreira entre personagem e jogador.
Mais de duas décadas depois, a ideia continua estranha. MGS2 ganhou versões expandidas, remasters e recentemente voltou por meio de Metal Gear Solid: Master Collection. Diferentemente de Metal Gear Solid 3, que recebeu Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, o segundo jogo continua sem um remake.
Se isso acontecer no futuro, seria interessante descobrir como uma nova versão faria o jogador duvidar do próprio videogame sem simplesmente reproduzir a cena quadro a quadro.
O que não poderia acontecer seria transformar aquelas ligações em diálogos normais.
6. “Nanomachines, son” — Metal Gear Rising: Revengeance
É difícil explicar Senator Armstrong sem fazer Metal Gear Rising: Revengeance parecer ainda mais estranho do que realmente é.
Nos momentos finais, Raiden descobre que o senador americano por trás de boa parte da conspiração não é exatamente um político comum. Armstrong remove a camisa, transforma seu corpo em uma massa de músculos praticamente indestrutível e enfrenta um ciborgue utilizando os próprios punhos.
Quando Raiden percebe que seus ataques não estão funcionando, surge a explicação: nanomáquinas (Nanomachines, son). Os nanomateriais endurecem partes do corpo de Armstrong em resposta aos ataques, permitindo que ele enfrente diretamente uma espada capaz de cortar enormes máquinas.
A combinação da atuação de Armstrong, seus discursos políticos, as proporções físicas do personagem e a explicação das nanomáquinas transformou a batalha em uma fonte praticamente inesgotável de memes.
Existem rumores recentes sobre um possível retorno de Metal Gear Rising, inclusive relatos não confirmados envolvendo algum tipo de remaster ou remake. Até agosto de 2026, entretanto, a Konami não anunciou oficialmente uma nova versão.
Se um remake realmente acontecer, tentar deixar Armstrong mais discreto seria provavelmente a pior decisão possível.
7. Elise beija Sonic para trazê-lo de volta à vida — Sonic the Hedgehog (2006)
Poucas cenas desta lista provocam uma reação tão imediata quanto esta.
Em Sonic the Hedgehog, de 2006, Sonic acaba morto por Mephiles durante os acontecimentos finais da campanha. Os personagens reúnem as Esmeraldas do Caos na tentativa de recuperá-lo, enquanto a princesa Elise se aproxima de Sonic. Então ela o beija.
Vale lembrar que Elise possui aparência humana relativamente realista, enquanto Sonic continua sendo exatamente o ouriço azul antropomórfico que todos conhecem. O beijo, combinado com o estilo visual adotado para os humanos naquele jogo, transformou a cena em um dos momentos mais discutidos (e ridicularizados) de toda a história da franquia.
Curiosamente, existe gente interessada em reconstruir Sonic 06. O produtor de Sonic X Shadow Generations, Shun Nakamura, já demonstrou interesse na ideia de revisitar o jogo. Além disso, fãs desenvolvem há anos o Project ’06, uma reconstrução não oficial para PC. Nenhum remake oficial foi anunciado pela Sega. Talvez um remake pudesse mudar bastante essa sequência. Poderia alterar enquadramentos ou até encontrar outra maneira de apresentar a situação.
Mas simplesmente eliminar o acontecimento também apagaria uma das maiores peculiaridades de Sonic 06. Para o bem ou para o mal, faz parte da identidade do jogo.
8. York vê “FK” no café — Deadly Premonition
Francis York Morgan é um agente do FBI que investiga um brutal assassinato em uma pequena cidade.
Também é um homem que toma decisões importantes depois de observar seu café. Em uma das primeiras sequências de Deadly Premonition, York olha atentamente para a bebida e acredita enxergar as letras “F” e “K” formadas no café.
Para ele, isso só pode significar alguma coisa. A cena é apresentada com uma seriedade completa, enquanto o protagonista interpreta aquilo como uma espécie de presságio relacionado ao caso.
É um bom exemplo do motivo pelo qual Deadly Premonition ganhou uma reputação tão peculiar. O jogo mistura investigação, horror e momentos aparentemente saídos de outra realidade sem demonstrar qualquer preocupação em avisar quando está mudando de tom.
O original ganhou posteriormente uma Director’s Cut e chegou ao Nintendo Switch como Deadly Premonition Origins. A versão de Switch é baseada no jogo original e não constitui um remake. Reconstruir tecnicamente Deadly Premonition poderia resolver uma quantidade enorme de problemas. Tornar York uma pessoa normal, entretanto, provavelmente destruiria boa parte de seu charme.
E isso inclui suas conversas com o café.
9. O apartamento tenta assassinar Lucas com móveis — Fahrenheit
Fahrenheit, também conhecido como Indigo Prophecy, começa como um thriller policial sobrenatural relativamente contido.
Essa descrição vai ficando cada vez menos útil conforme a história avança. Um dos sinais mais claros aparece quando Lucas Kane está dentro de seu apartamento e objetos começam a atacá-lo. Cadeiras, móveis e praticamente tudo que existe no ambiente começam a voar em sua direção enquanto o jogador precisa executar uma longa sequência de comandos para escapar.
O resultado lembra uma mistura entre filme sobrenatural e cena de ação de Matrix. E o jogo ainda nem chegou às suas partes mais exageradas. Anos depois, Fahrenheit recebeu uma edição remasterizada. A própria Quantic Dream descreve essa versão como uma atualização com gráficos melhorados, suporte a controles modernos e o conteúdo internacional sem censura.
Um remake teria bastante espaço para reorganizar a segunda metade da história e melhorar algumas das transições mais abruptas do roteiro. Ainda assim, aquele apartamento precisa continuar tentando matar Lucas.
Retirar as partes estranhas de Fahrenheit talvez resultasse em uma narrativa mais consistente. Também resultaria em um jogo bem menos parecido com Fahrenheit.
Nem tudo que envelheceu mal precisa ser corrigido
Existe uma diferença entre um problema técnico e uma característica que acabou entrando para a história do jogo. Uma câmera ruim pode ser refeita. Tempos de carregamento podem desaparecer. Controles podem ser redesenhados. Texturas, iluminação e animações certamente podem melhorar.
Uma cena como Chris Redfield socando uma pedra ocupa outra categoria. Ninguém precisa acreditar que aquilo faz sentido para lembrar exatamente do que aconteceu. O mesmo vale para o beijo de Elise, a risada de Tidus, as mensagens inexplicáveis do Coronel em Metal Gear Solid 2 ou Francis York procurando respostas no café.
Um bom remake poderia até reinterpretar esses momentos. O importante seria entender por que os jogadores ainda falam deles tantos anos depois. Algumas ideias ficaram famosas apesar de serem absurdas. Outras ficaram famosas justamente porque são absurdas.
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📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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