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Micron prevê escassez de RAM e preços elevados até 2028

A Micron, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, afirmou que a escassez global de RAM ainda está longe de ser resolvida e que os preços podem permanecer elevados pelo menos até 2028. Durante uma apresentação de resultados a investidores, a empresa explicou que boa parte da capacidade de produção prevista para o próximo ano já está comprometida, enquanto a procura continua avançando em um ritmo que dificulta a normalização da oferta.

Segundo reportagem do The Register, o CEO e presidente da companhia, Sanjay Mehrotra, afirmou que a Micron já comercializou grande parte da produção esperada para o próximo ano e que os clientes devem se preparar para custos superiores aos registrados em 2026. O executivo também reconheceu que a empresa ainda não consegue prever quando oferta e demanda voltarão a um nível de equilíbrio, o que ajuda a explicar por que fabricantes de PCs, consoles e outros eletrônicos continuam enfrentando pressão sobre os preços.

A produção de memória voltada à IA reduz a disponibilidade de RAM para PCs e consoles

Grande parte dessa pressão vem do crescimento acelerado da procura por memória de alta largura de banda, conhecida como HBM (High-Bandwidth Memory), usada em data centers e aceleradores voltados para inteligência artificial. Como uma parcela crescente da capacidade produtiva dos grandes fabricantes de memória está sendo direcionada para esse segmento, sobra menos espaço para chips destinados a PCs, consoles e outros dispositivos de consumo.

A consequência já aparece em diferentes partes do mercado de hardware. Consoles como PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 passaram por reajustes de preço em diversos mercados, enquanto fabricantes de computadores e componentes também precisam lidar com custos maiores de memória. O impacto não se limita à RAM tradicional, já que a mesma disputa por capacidade industrial afeta diferentes tipos de memória e armazenamento utilizados em produtos eletrônicos.

Micron ampliará a sua capacidade de produção, mas os efeitos só aparecerão depois de 2028

A Micron prepara novos investimentos para aumentar a produção e prevê colocar novas fábricas em operação a partir de 2028, com cerca de US$ 25 bilhões em despesas de capital previstas para o primeiro semestre do novo ano fiscal. Mesmo com essa expansão, os próprios executivos da companhia alertam que a entrada de nova capacidade não deve provocar uma queda imediata nos preços, já que a demanda continua crescendo em paralelo.

Mehrotra explicou que o consumo de HBM avança mais rapidamente do que o de DRAM utilizado em servidores, enquanto a empresa tenta melhorar a rentabilidade desse segmento. Os resultados mais recentes mostram o tamanho desse movimento: a unidade de memória voltada para nuvem, que inclui HBM, registrou 83% de margem bruta no quarto trimestre, frente a 59% no mesmo período do ano anterior, enquanto o negócio de DRAM para data centers alcançou 90%, contra 41% anteriormente.

A expansão também aparece no armazenamento. As vendas de SSDs destinados a data centers se aproximaram de US$ 10 bilhões no trimestre, com crescimento superior a 1.000% na comparação anual, impulsionadas principalmente pela demanda ligada a infraestrutura de inteligência artificial e ao aumento da quantidade de dados mantidos em memória de contexto.

Micron aposta no HBM4E e na parceria com Nvidia

A Micron também destacou a parceria com a Nvidia no desenvolvimento do NV-HBM, apresentado como uma implementação personalizada de HBM4E voltada para futuras GPUs e plataformas baseadas em NVLink Fusion. Ao mesmo tempo, o crescimento das aplicações de IA amplia a procura pelos SSDs baseados em NAND da fabricante, especialmente em ambientes de data center que precisam armazenar grandes volumes de informação de forma rápida.

A Samsung apresentou uma avaliação semelhante em sua própria apresentação de resultados a investidores e indicou que a pressão sobre o mercado de memória deve continuar ao longo do próximo ano. Com dois dos principais fabricantes do setor apontando para um cenário de oferta limitada, consumidores que pretendem montar um PC ou comprar um novo console podem continuar encontrando preços elevados enquanto a indústria tenta aumentar a capacidade de produção.

Fonte: Eurogamer


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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