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Mangaká da Shonen Jump revela que teve pausas negadas mesmo após perder a visão temporariamente

O mangaká Kazumata Oguri, autor da série de comédia Hanasaka Tenshi Tenten-kun publicada na Weekly Shonen Jump da Shueisha e adaptada para anime, usou seu blog pessoal na plataforma note para relatar o que viveu nos bastidores da revista durante os anos 90. Em post publicado, ele descreveu um período de saúde em deterioração constante no qual seus pedidos de pausa na serialização foram repetidamente negados pelo editor responsável.

Sistema nervoso, perda de visão e nenhum descanso autorizado

Segundo Oguri, os problemas começaram por volta da época em que Hanasaka Tenshi Tenten-kun entrou em sua segunda temporada no anime. A combinação de estresse extremo com privação crônica de sono levou ao mau funcionamento do sistema nervoso. Os sintomas se agravaram a ponto de ele passar a sofrer tiques nos olhos e episódios de perda temporária de visão. Diante desse quadro, o autor consultou seu editor sobre a possibilidade de colocar o mangá em hiatus. O pedido foi negado.

A recusa pesou ainda mais quando Oguri observou colegas de maior prestígio conseguindo pausas sem maiores problemas. O principal exemplo que ele cita é Eiichiro Oda, autor de One Piece. Diante disso, Oguri concluiu que precisava tornar seu próprio mangá mais popular para, então, ter o mesmo direito. Foi nesse estado de desespero que ele criou um cliffhanger que o levou ao 2º lugar nas pesquisas de leitores da Jump, ficando atrás apenas de One Piece.

O autor, no entanto, foi honesto sobre as circunstâncias daquele resultado. Ele mesmo descreveu a conquista como um “milagre de uma vez só”, admitindo que a posição só foi possível porque Hunter x Hunter, de Yoshihiro Togashi, estava em hiatus naquela semana específica. Mesmo com esse pico de popularidade, a pausa continuou sendo negada.

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Dois arcos fracassados e um tratamento desigual entre autores

O fôlego conquistado com o cliffhanger não durou. Oguri relata que, após aquele momento, sua série enfrentou uma queda de popularidade e dois arcos de história que não emplacaram, um golpe emocional considerável. E, ao longo de todo esse período, a resposta do editor seguia sendo a mesma: sem hiatus.

O mangaká também aponta diferenças gritantes no tratamento recebido por autores diferentes dentro da própria Jump, a depender do editor designado. Ele menciona, por exemplo, a inveja que sentia de Masashi Kishimoto, autor de Naruto, que tinha a liberdade de entregar seus storyboards em partes, conforme os concluía. Oguri, por outro lado, era obrigado a submeter apenas storyboards completos, sem exceção. O relato se soma a um histórico crescente de denúncias de mangakás sobre condições de trabalho extenuantes e assédio por parte de editores em publicações semanais japonesas.

No encerramento do post, Oguri diz que os problemas de saúde foram se intensificando e que surgiram também complicações em seu estúdio.

Fonte: Automaton Media


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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