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10 remakes que mudaram muito mais do que apenas os gráficos
Refazer um jogo antigo pode significar simplesmente reconstruir seus cenários e personagens com tecnologia moderna. Outros projetos aproveitam a oportunidade para mexer também em combate, exploração, narrativa e até na maneira como o jogador entende a obra original.
É justamente esse segundo grupo que aparece nesta lista. São remakes que mantiveram uma ligação clara com os jogos que lhes deram origem, mas fizeram mudanças suficientemente grandes para que retornar a eles não fosse apenas rever os mesmos acontecimentos com modelos mais detalhados.
Em alguns casos, sistemas inteiros foram substituídos. Em outros, áreas foram ampliadas, personagens receberam novos papéis e partes importantes da história passaram a ser contadas de outra maneira. Confira 10 remakes que mudaram muito mais do que apenas os gráficos.
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1. Resident Evil
- Original: Resident Evil (1996)
- Remake: Resident Evil (2002)
O remake do primeiro Resident Evil para GameCube ainda é um exemplo interessante porque a Capcom poderia ter se limitado a reconstruir a Mansão Spencer com gráficos melhores. Durante o desenvolvimento, porém, o projeto acabou recebendo mudanças bem maiores.
A estrutura principal continua reconhecível, assim como as câmeras fixas e boa parte da exploração. O conhecimento do jogo de 1996, entretanto, não é suficiente para atravessar tranquilamente a nova versão.
A Capcom alterou diversos quebra-cabeças, acrescentou áreas exploráveis e introduziu os Crimson Heads, fazendo com que determinados zumbis aparentemente mortos pudessem retornar de forma muito mais perigosa caso o jogador não tomasse certas precauções.
A história também ganhou conteúdo. A principal adição foi Lisa Trevor, personagem que havia sido concebida durante o desenvolvimento do original, mas não entrou na versão de 1996. Sua presença acrescentou novos encontros, locais e informações sobre os acontecimentos envolvendo a Mansão Spencer.
O resultado foi um remake que preservou a estrutura de survival horror do primeiro Resident Evil sem permitir que veteranos simplesmente repetissem o caminho que já conheciam.
2. Metroid: Zero Mission
- Original: Metroid (1986)
- Remake: Metroid: Zero Mission (2004)
Metroid: Zero Mission reconta a primeira missão de Samus em Zebes, mas fazer uma comparação direta com o Metroid original deixa claro que a Nintendo não tentou reproduzir exatamente o jogo de NES. Os ambientes foram completamente redesenhados e passaram a utilizar recursos e conceitos desenvolvidos ao longo dos anos seguintes da franquia.
A movimentação de Samus é mais flexível, existem novos chefes e mecanismos de exploração, e o mapa oferece muito mais orientação do que o labirinto bastante abstrato de 1986. A própria Nintendo descreve Zero Mission como uma versão com cenários totalmente redesenhados, novos inimigos e recursos adicionais. A diferença mais importante surge depois de um acontecimento que encerrava praticamente toda a aventura original. Derrotar Mother Brain não significa mais que a missão acabou.
Zero Mission acrescenta uma sequência inédita em que Samus perde seu traje e precisa avançar vulnerável utilizando apenas sua Zero Suit e uma pistola incapaz de eliminar normalmente os inimigos. A seção muda temporariamente o ritmo para algo mais próximo de furtividade.
O próprio Yoshio Sakamoto explicou posteriormente que a equipe acrescentou um cenário inexistente no Metroid original para reforçar o elemento narrativo. Foi também nesse jogo que Zero Suit Samus fez sua estreia.
3. Yakuza Kiwami
- Original: Yakuza (2005)
- Remake: Yakuza Kiwami (2016)
A trama central da estreia de Kazuma Kiryu permanece no centro de Yakuza Kiwami, mas praticamente todo o restante foi atualizado para aproximar o jogo daquilo que a franquia havia se tornado mais de uma década depois.
A mudança mais evidente está nas lutas. Em vez de simplesmente reproduzir o combate da versão de PlayStation 2, Kiwami herdou conceitos de Yakuza 0, incluindo diferentes estilos que Kiryu pode alternar durante as batalhas.
Também houve novas gravações de voz, ajustes em missões e melhorias de qualidade de vida. A Sega acrescentou ainda cerca de 30 minutos de novas cenas cinematográficas para desenvolver melhor personagens e criar ligações com Yakuza 0.
Uma das novidades mais conhecidas foi o Majima Everywhere, sistema que faz Goro Majima aparecer em diferentes situações pela cidade para desafiar Kiryu. Ele pode surgir de maneiras inesperadas, transformando um personagem que tinha participação bem mais limitada no primeiro jogo em presença constante durante a exploração.
Kiwami continua contando essencialmente a história de 2005, mas é estruturado para funcionar como uma continuação natural de Yakuza 0 e como uma introdução muito mais moderna aos primeiros acontecimentos da saga.
4. Resident Evil 2
- Original: Resident Evil 2 (1998)
- Remake: Resident Evil 2 (2019)
O caso de Resident Evil 2 é ainda mais radical que o remake do primeiro jogo. O original utilizava cenários pré-renderizados e câmeras fixas. Em 2019, a Capcom reconstruiu Raccoon City e a delegacia em ambientes tridimensionais e colocou a câmera diretamente atrás de Leon e Claire.
Essa mudança parece apenas técnica até o jogador perceber quanto ela altera o funcionamento da aventura. Mirar agora exige precisão, tiros provocam danos diferentes nos corpos dos zumbis e inimigos podem atravessar portas e continuar perseguindo o personagem entre determinadas salas.
A delegacia também não é simplesmente a versão de 1998 reconstruída. Existem novas áreas, rotas diferentes e quebra-cabeças alterados, justamente para impedir que o conhecimento do jogo antigo elimine completamente a surpresa da exploração. A própria Capcom destacava antes do lançamento que veteranos encontrariam novidades mesmo em locais familiares.
Outro elemento que ganhou importância foi o Tyrant, ou Mr. X. Ele deixa de funcionar principalmente como encontros predeterminados e passa boa parte da aventura procurando o jogador pela delegacia, mudando a maneira como rotas aparentemente seguras são utilizadas.
Resident Evil 2 mantém Leon, Claire, Raccoon City e os acontecimentos fundamentais de 1998, mas praticamente redesenha a maneira como o jogador interage com todos eles.
5. Final Fantasy VII Remake
- Original: Final Fantasy VII (1997)
- Remake: Final Fantasy VII Remake (2020)
Poucos jogos desta lista levam a palavra “remake” tão longe quanto Final Fantasy VII Remake. Enquanto o Final Fantasy VII original utilizava um sistema baseado em comandos e Active Time Battle, a nova versão combina movimentação e ataques em tempo real com uma barra de ATB usada para habilidades, itens e magias. O jogador também pode alternar diretamente entre os integrantes do grupo durante as batalhas.
Essa transformação já seria suficiente para mudar bastante o RPG, mas a Square Enix tomou uma decisão ainda maior em relação à estrutura. Todo Final Fantasy VII Remake é dedicado à parte de Midgar, que correspondia apenas às horas iniciais do jogo de 1997. Regiões foram expandidas, outras completamente novas foram criadas e acontecimentos que passavam rapidamente no original ganharam capítulos inteiros.
Personagens secundários também ganharam muito mais tempo em cena, enquanto situações inéditas foram incorporadas à narrativa. Até sequências conhecidas, como as consequências do ataque ao primeiro reator, são apresentadas de forma consideravelmente mais extensa.
E há uma diferença ainda maior: o remake começa a questionar a possibilidade de os acontecimentos seguirem exatamente o destino estabelecido em 1997. Por isso, conhecer o original não significa necessariamente saber tudo o que acontecerá nesta nova versão.
6. Mafia: Definitive Edition
- Original: Mafia (2002)
- Remake: Mafia: Definitive Edition (2020)
Mafia: Definitive Edition foi reconstruído do zero pela Hangar 13, mas a transformação de Lost Heaven não ficou restrita à cidade. O roteiro foi atualizado com novos diálogos, personagens receberam histórias mais desenvolvidas e cenas adicionais foram produzidas para aprofundar as relações dentro da família Salieri.
O combate também passou a seguir uma estrutura mais próxima dos jogos modernos da série Mafia. Há sistema de cobertura, tiroteios reconstruídos e mudanças na condução dos veículos. Até Tommy Angelo precisou ser recriado. A Hangar 13 não reutilizou simplesmente os materiais antigos: personagem, atuação e apresentação foram refeitos como parte da reconstrução praticamente integral do jogo.
Lost Heaven também pode ser explorada através do modo Free Ride, no qual o jogador circula livremente pela cidade fora das missões da campanha, encontra atividades e procura recompensas escondidas.
É a mesma história básica sobre a entrada de Tommy no crime organizado, mas contada com outro ritmo e sistemas desenvolvidos quase vinte anos depois.
7. Black Mesa
- Original: Half-Life (1998)
- Remake: Black Mesa (2020)
Black Mesa possui uma origem diferente dos demais jogos desta seleção. O projeto começou como uma iniciativa de fãs interessados em reconstruir Half-Life utilizando a tecnologia Source e, depois de anos de desenvolvimento, acabou se tornando um jogo comercial completo com autorização da Valve.
A primeira diferença obviamente está na tecnologia, mas a Crowbar Collective não se limitou a reproduzir as salas do Black Mesa Research Facility com modelos melhores. Partes das fases foram reorganizadas, inimigos receberam comportamentos atualizados e determinados encontros foram modificados. A maior transformação, porém, acontece em Xen.
No Half-Life original, a passagem pelo mundo alienígena ocupa uma parte relativamente pequena da campanha e possui uma estrutura bastante diferente das áreas anteriores. Em Black Mesa, a Crowbar Collective reconstruiu e ampliou profundamente essa seção, criando novos ambientes, desafios e sequências de exploração.
Isso faz de Black Mesa um exemplo peculiar de remake: durante boa parte da aventura ele segue de perto Half-Life, mas eventualmente começa a desenvolver ideias que o jogo de 1998 apenas apresentava de maneira mais limitada.
8. System Shock
- Original: System Shock (1994)
- Remake: System Shock (2023)
System Shock tinha um problema diferente de muitos jogos desta lista. Seu design continua influente, mas utilizar hoje a interface do lançamento de 1994 exige uma adaptação considerável. A Nightdive Studios decidiu preservar elementos que definiam a exploração da Citadel Station sem exigir que o jogador utilizasse uma interface construída para os padrões dos PCs do início dos anos 1990.
O remake recebeu controles atualizados e uma interface totalmente reformulada, além da reconstrução visual e sonora. A Nightdive manteve inclusive Terri Brosius como a voz de SHODAN. Isso altera bastante a maneira como o jogo é controlado. Combate, movimentação, gerenciamento de inventário e interação com objetos são muito mais próximos dos padrões atuais de um jogo em primeira pessoa.
Ainda assim, System Shock não foi transformado em uma experiência completamente guiada. A exploração continua exigindo que o jogador leia mensagens, acompanhe informações encontradas pela estação e descubra como avançar sem depender constantemente de marcadores indicando o próximo objetivo.
Por isso, o remake funciona quase como uma tradução: a lógica central de System Shock continua presente, mas foi reconstruída para ser compreensível através de controles e interfaces atuais.
9. Resident Evil 4
- Original: Resident Evil 4 (2005)
- Remake: Resident Evil 4 (2023)
Resident Evil 4 já tinha uma estrutura que continua influenciando jogos modernos, portanto a Capcom não precisava resolver o mesmo tipo de problema encontrado em Resident Evil 2. A estratégia foi diferente: manter os principais elementos do jogo de 2005 e modificar quase tudo ao redor deles.
Leon agora consegue se movimentar enquanto mira, agachar para evitar inimigos ou realizar eliminações furtivas e utilizar a faca como uma ferramenta muito mais importante durante o combate. Um dos novos sistemas permite aparar ataques inimigos (inclusive a motosserra de determinados Ganados) no momento correto.
Trechos conhecidos também foram reorganizados. Alguns acontecimentos surgem em momentos diferentes, determinadas áreas foram ampliadas e confrontos que existiam no original receberam novas mecânicas.
A narrativa passou por ajustes semelhantes. A Capcom descreveu o projeto como uma versão que preservava a essência de Resident Evil 4 enquanto introduzia gameplay modernizado e uma história reimaginada. Ashley é um bom exemplo. Sua inteligência artificial e o modo como Leon dá instruções à personagem foram refeitos, retirando algumas das limitações do sistema antigo.
O resultado continua imediatamente reconhecível como Resident Evil 4, mas jogar as duas versões lado a lado deixa evidente que não se trata apenas de substituir seus personagens por modelos mais detalhados.
10. Silent Hill 2
- Original: Silent Hill 2 (2001)
- Remake: Silent Hill 2 (2024)
O Silent Hill 2 original construiu boa parte de sua identidade usando enquadramentos de câmera definidos pelo jogo. No remake da Bloober Team, a câmera passa para trás do ombro de James Sunderland.
Isso obrigou o estúdio a reconsiderar diferentes partes da experiência. O sistema de combate foi reformulado, áreas exploráveis foram ampliadas e novas cenas foram incorporadas à campanha. Essas mudanças foram destacadas pela própria Konami antes do lançamento.
Os confrontos deixam de ter a mesma simplicidade do jogo de 2001. James pode esquivar de golpes, precisa lidar com inimigos de maneira mais direta e enfrenta versões modificadas de algumas situações conhecidas.
A exploração também aproveita prédios e espaços que anteriormente serviam apenas como parte do cenário. Isso permitiu reorganizar quebra-cabeças e esconder surpresas em locais onde jogadores do original poderiam imaginar que já sabiam o que encontrariam. Apesar das mudanças, a história de James, Mary e a cidade continua sendo o centro da experiência. A diferença está principalmente em como o jogador atravessa essa história.
A Konami resume a proposta mencionando explicitamente áreas expandidas, câmera sobre o ombro, combate reformulado e novas cutscenes. É uma descrição que também explica por que Silent Hill 2 se encaixa tão bem nesta lista.
Um remake não precisa substituir o original
Esses projetos também mostram como a palavra “remake” pode representar propostas bastante diferentes.
Resident Evil de 2002 preservou câmeras fixas e a estrutura de survival horror enquanto introduzia novos perigos. Resident Evil 2 mudou completamente a perspectiva. Final Fantasy VII Remake transformou poucas horas do RPG original em um jogo completo. Metroid: Zero Mission adicionou uma parte inédita à aventura, enquanto Mafia: Definitive Edition reescreveu e ampliou diversos elementos da narrativa.
Por isso, versões antigas e novas nem sempre precisam competir pela mesma função. Em vários casos desta lista, jogar o original depois do remake (ou fazer o caminho contrário) ainda oferece experiências suficientemente diferentes.
Os melhores exemplos são justamente aqueles em que os desenvolvedores entenderam quais elementos precisavam permanecer reconhecíveis e quais poderiam ser modificados para que uma história conhecida funcionasse novamente em outra época.
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📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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