Don Daglow diz que desenvolvedores precisam seguir o exemplo de Kojima e criar um estilo próprio
Don Daglow, um dos pioneiros responsáveis por títulos como Dungeon (1975) e Utopia (1982) e por ajudar a moldar alguns dos primeiros RPGs na história dos videogames, acredita que os desenvolvedores modernos deveriam priorizar uma coisa acima de tudo: construir uma identidade criativa própria.
Durante uma palestra recente na GDC 2026, o veterano da indústria refletiu sobre mais de 50 anos de experiência e compartilhou conselhos para a nova geração de criadores de jogos. Embora uma de suas primeiras dicas tenha sido dita em tom de humor — “tenha um pai rico” —, Daglow rapidamente esclareceu que a verdadeira lição está em outro lugar.
A principal mensagem de Daglow foi direta: desenvolvedores devem se esforçar para criar estilos reconhecíveis, em vez de simplesmente imitar tendências que já fazem sucesso na indústria.
Para ilustrar seu ponto, ele comparou o desenvolvimento de jogos com a música e a literatura. Artistas como Lady Gaga e Billie Eilish são instantaneamente reconhecíveis poucos segundos após o início de uma música. Da mesma forma, leitores poderiam identificar rapidamente a voz do escritor Richard Brautigan apenas pelo estilo de sua escrita.
Daglow argumenta que os games também podem alcançar esse mesmo efeito quando os desenvolvedores cultivam uma identidade criativa forte. Como exemplo, ele citou o trabalho de Hideo Kojima, cujos jogos muitas vezes são reconhecidos em poucos instantes graças ao seu tom e apresentação únicos.
Em vez de agir como espelhos que apenas refletem o trabalho de outros, Daglow incentivou os desenvolvedores a pensarem em si mesmos como fontes de energia criativa. Nas palavras dele, criadores devem buscar ser “uma chama que emite calor”, desenvolvendo ideias que evoluem ao longo dos anos, mas que permanecem inconfundivelmente suas.
Jogos podem impactar as pessoas
Daglow encerrou sua fala com uma reflexão mais ampla sobre o impacto cultural dos videogames. Segundo ele, muitos desenvolvedores percebem a importância do próprio trabalho quando jogadores os procuram anos depois para falar sobre um jogo que ajudaram a criar. Alguém pode contar que jogou determinado título quando era criança e ainda se lembra exatamente com quem estava ou onde estava naquele momento.
Para Daglow, essas experiências mostram que os jogos vão muito além de simples entretenimento. Por causa desse impacto, Daglow acredita que os desenvolvedores têm a responsabilidade de aproveitar ao máximo seu ofício. A capacidade de criar experiências que realmente importam na vida das pessoas, segundo ele, é um privilégio raro em qualquer área criativa.
Fonte: GamesRadar
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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