Fundador da Zynga diz que devs precisam deixar o ego de lado e copiar ideias de outros jogos que deram certo
Mark Pincus, fundador da Zynga, defende em seu novo livro que desenvolvedores de jogos precisam deixar o ego de lado e se sentir confortáveis em copiar o que já funciona no mercado. A tese central está em uma metodologia que ele batizou de Proven Better New, apresentada em detalhes na obra Life at the Speed of Play.
O framework é dividido em três pilares. O primeiro, Proven, consiste em copiar com fidelidade as features e mecânicas que o público-alvo já ama, segundo Pincus, isso significa reproduzir “cada pixel” de um produto de sucesso. O segundo, Better, é a etapa em que a equipe identifica o que pode ser melhorado em relação ao original. O terceiro, New, envolve adicionar uma ideia completamente inédita ao produto, descrita por ele como a parte mais arriscada do processo, que precisa ser isolada e testada separadamente.
O problema do ego na indústria
Para Pincus, o maior obstáculo para aplicar essa metodologia não é técnico, mas cultural. Desenvolvedores mais jovens, segundo ele, desperdiçam ciclos de produção inteiros tentando não parecer que estão copiando o concorrente e acabam entregando produtos inferiores.
“Todos nós queremos ser respeitados pelos nossos colegas, então nosso ego nos impede de copiar”, escreve ele. “Na minha experiência, quanto mais júnior o time de produto, mais eles gastam ciclos tentando muito não copiar ou nem mesmo parecer que estavam copiando.”
A solução, na visão do executivo, é direta: “Precisamos nos sentir confortáveis em copiar o que já funciona (legalmente), para que possamos gastar todo o nosso tempo e energia na inovação genuína que realmente nos anima e anima nossos usuários.”
Pincus ainda traça um paralelo com o artesanato para explicar por que esse comportamento exige maturidade: “Apenas um artesão mestre consegue identificar a excelência e se sentir confortável em copiá-la. Eles reconhecem quando algo já é excelente e entendem que mudar qualquer coisa só vai piorar — e eles confiam na própria capacidade de criar algo novo e inovador que vai falar por si mesmo.”
O próprio fundador usa o primeiro jogo da Zynga, o Zynga Poker, como o exemplo fundador da metodologia. No caso desse título, o elemento Proven foi simplesmente copiar as regras do poker online já existente. O Better foi tornar o jogo instantaneamente jogável, sem a necessidade de download. E o New foi a decisão de incorporar as identidades reais dos jogadores, usando as fotos de perfil do próprio Facebook.
Todos se beneficiam do método
Pincus também não esconde que a troca de inspirações entre estúdios foi uma via de mão dupla. Ele admite que CityVille, da Zynga, copiou diversas ideias de Millionaire City, da Supercell. E que, em sentido inverso, a Supercell usou elementos de FarmVille para criar Hay Day. Longe de encarar isso como um problema, Pincus trata o caso como a maior validação possível do seu framework.
“Um dos exemplos mais bem-sucedidos de Proven Better veio quando um time da Supercell criou Hay Day, que era essencialmente um FarmVille para mobile”, escreve ele. “Se você comparasse o Hay Day original com FarmVille, pensaria que eram o mesmo jogo. Ambos tinham a mesma meia entrada, a caixa de correio, e a casa com a cerca branca. Eles até têm a mesma caminhonete — uma era vermelha, a outra azul. Mas não estou reclamando. Isso é uma aula magistral de Proven Better New.”
Fonte: Video Games Chronicle
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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