Funcionários da EA criticam pressão para usar IA e descrevem empresa como um “lugar frio e morto”
O clima nos bastidores da Electronic Arts parece estar longe dos melhores. Após as recentes demissões e o fechamento da BioWare, funcionários da empresa relataram pressão para utilizar inteligência artificial generativa, excesso de trabalho e insatisfação com a liderança. Os depoimentos fazem parte de uma reportagem do jornalista Chris Kerr, publicada no site Vertical Slice.
Os profissionais, que conversaram sob anonimato, descrevem um ambiente de trabalho cada vez mais desgastante. “O moral estava terrível. A frase que ouvíamos o tempo todo era ‘faça menos, melhor’, mas parecia que estávamos fazendo a mesma quantidade de trabalho com menos pessoas”, afirmou uma das fontes.
EA estaria pressionando funcionários a utilizar IA generativa
Uma das principais reclamações envolve o incentivo da liderança ao uso de ferramentas de IA, especialmente o Claude, da Anthropic. Segundo um funcionário, a alta gestão demonstrava grande entusiasmo com a tecnologia, para desgosto de sua equipe.
Embora o uso dessas ferramentas não seja oficialmente obrigatório, os relatos indicam que a pressão acontece de maneira indireta. “Eles não vão dizer que essas ferramentas são obrigatórias, mas vão tornar impossível ou muito difícil fazer seu trabalho sem elas”, explicou uma fonte.
Outro funcionário resumiu a postura dos superiores: “A mensagem de todos os gerentes que ouvi é ‘este é o futuro, você tem que embarcar’.”
Funcionários criticam executivos e decisões que levaram ao fechamento da BioWare
As críticas também atingem a administração da EA. Um dos entrevistados afirma que os executivos raramente assumem a responsabilidade por decisões equivocadas, enquanto franquias lucrativas como EA Sports FC acabam financiando projetos que não apresentam os resultados esperados.
O contraste fica ainda maior diante da remuneração da liderança. Após demissões envolvendo desenvolvedores de Battlefield 6, o CEO Andrew Wilson teve uma remuneração de US$ 38 milhões associada aos resultados do jogo. Em 2025, sua remuneração anual equivalia a aproximadamente 305 salários medianos dos funcionários dos estúdios da EA.
O fechamento da BioWare também aparece nos depoimentos. Segundo os entrevistados, a insistência em transformar projetos do estúdio em jogos como serviço provocou mudanças de direção, desperdício de recursos e problemas durante o desenvolvimento.
“Muito dinheiro foi desperdiçado seguindo caminhos que não levavam a lugar nenhum”, afirmou um funcionário. Outro criticou a falta de liberdade criativa: “Nunca havia desejo de correr riscos. Nunca desejo de fazer algo interessante.”
Um dos relatos mais duros resume o sentimento de parte dos profissionais entrevistados: “Um lugar frio e morto que está decaindo lentamente enquanto a liderança tira cada último centavo, deixando o resto de nós preocupados em como alimentar nossas famílias.”
Fonte: PC Gamer
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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