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Capcom afirma que abandonar foco em um único criador ajudou a manter suas franquias fortes

A Capcom está vivendo um de seus melhores momentos no mercado. Com Resident Evil Requiem, Monster Hunter Stories 3 e Pragmata chegando com recepção sólida, a empresa decidiu abrir o jogo sobre o que mudou internamente nas últimas décadas. Para o presidente e COO Haruhiro Tsujimoto, o segredo está no abandono do modelo de desenvolvimento centrado em um único criador em favor de um trabalho genuinamente coletivo.

Em entrevista à Famitsu, Tsujimoto foi direto ao ponto: “Na indústria de games, quando um título se torna uma série, ele frequentemente acaba dependendo muito de um desenvolvedor específico, tornando-se o que você chamaria de um título movido por um indivíduo. Se essa pessoa não fizer o próximo, não haverá próximo jogo. A direção da série fica atrelada às ideias de um único criador.”

O raciocínio do executivo encontra respaldo fácil na história recente do setor. A Konami, por exemplo, ainda não conseguiu entregar um novo chefe para Metal Gear Solid desde a saída de Hideo Kojima. Dentro da própria Capcom, franquias como Resident Evil, Monster Hunter e Street Fighter seguem em plena atividade mesmo com os criadores originais tendo deixado a empresa há anos, justamente porque a empresa se antecipou ao problema e mudou sua cultura de desenvolvimento antes de ser pega desprevenida.

Reconstruir do zero, mesmo com risco de queda nas vendas

A transição não foi feita sem debate interno. Tsujimoto conta que a decisão passou por conversas diretas com as figuras centrais de cada franquia. “Discutimos o problema com as figuras centrais por trás de cada franquia e, no fim, concordamos que deveríamos abandonar aquela abordagem”, disse ele. “O que criamos em vez disso foi a ideia de que cada título deveria essencialmente ser reconstruído do zero. Não nos importamos nem se as vendas caíssem temporariamente como resultado, e ao mudar para uma abordagem de desenvolvimento baseada em equipe, a Capcom mudou dramaticamente.”

Essa filosofia abre perspectivas interessantes para franquias que andam mais quietas no catálogo da Capcom. A empresa já sinalizou que quer “nutrir” séries como Devil May Cry, que recentemente registrou um número recorde de vendas anuais de DMC 5, mesmo sete anos após o seu lançamento. A saída do diretor criativo Hideaki Itsuno poderia ser vista como um obstáculo para o futuro da série, mas o próprio discurso de Tsujimoto sugere que a Capcom está preparada para confiar em uma equipe para conduzir o trabalho, independente de qual nome está à frente.

Fonte: GamesRadar


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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