Xbox mudou de prioridades e estúdios agora pagam o preço da aposta no Game Pass, afirma Jason Schreier
Os estúdios do Xbox estão na iminência de um verdadeiro colapso. Um novo relatório do jornalista veterano Jason Schreier, da Bloomberg, publicado em formato de vídeo no YouTube, aponta que a rodada de demissões e fechamentos em curso na divisão de games da Microsoft deve resultar em um “banho de sangue” e que muitos dos desenvolvedores afetados estão sendo, nas palavras do próprio repórter, “punidos” simplesmente por terem seguido as ordens que receberam anos atrás.
“Punidos por seguir ordens”
Com a chegada de Asha Sharma em 2026 para fazer o tal “reset” da divisão, os estúdios menores pagam a conta de decisões que não foram deles. Schreier ressaltou que equipes como Double Fine e Compulsion Games estavam simplesmente cumprindo o que lhes foi pedido quando foram adquiridas, há cinco anos: desenvolver jogos para alimentar o catálogo do Xbox Game Pass e ajudar a crescer a base de assinantes, com a garantia de que isso seria suficiente, sem precisarem se preocupar com lucros.
“Muitos desses estúdios cometeram seus próprios erros, mas em muitos aspectos eles estão sendo punidos hoje por terem seguido ordens”, afirmou Schreier. “Eles foram instruídos a fazer grandes jogos, assumir riscos e tentar ganhar prêmios. A mensagem não era atingir um determinado nível de lucratividade. Por terem ouvido o que lhes foi dito alguns anos atrás. E isso é simplesmente uma vergonha, e o que vai acontecer é muito brutal. A palavra ‘banho de sangue’ tem sido usada entre as pessoas com quem converso, que sabem o que vai acontecer. Vai ser ruim.”
O problema da estagnação
O cenário começou a mudar após a conclusão da compra da Activision Blizzard, em outubro de 2023. Segundo Schreier, a Microsoft passou a exigir resultados financeiros mais agressivos da divisão Xbox.
A empresa não apenas herdou milhares de novos funcionários, mas também passou a arcar com custos operacionais muito maiores. “De repente, tudo passou a girar em torno da lucratividade”, afirmou o jornalista. “A Microsoft queria ver retorno sobre esse investimento gigantesco.”
Ao mesmo tempo, o crescimento do Game Pass desacelerou. A assinatura continuou relevante, mas deixou de apresentar a expansão que muitos executivos esperavam. Schreier também destacou que existem debates internos sobre o impacto do serviço nas vendas tradicionais de jogos.
“Se você pode pagar US$ 10 por um ou dois meses de Game Pass ou gastar US$ 70 em um jogo, a escolha parece bastante óbvia”, observou.
A raiz do problema: uma década de instabilidade
No vídeo, Schreier argumenta que o Xbox nunca se recuperou de verdade da era do Xbox One. O Xbox Series X/S não conseguiu recuperar terreno na guerra dos consoles contra o PlayStation, e o crescimento do Xbox Game Pass chegou a um platô. A resposta da Microsoft foi uma ofensiva de aquisições ao longo da última década, comprando exatamente os estúdios que agora busca fechar ou se desfazer.
A mais notória dessas compras foi a aquisição da Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões, articulada pelo então chefe do Xbox Phil Spencer no fim do boom do setor impulsionado pela pandemia. O negócio já parecia menos atraente quando foi finalmente aprovado, dado os enormes custos envolvidos e a mudança no cenário econômico e estratégico.
“Foi quando as coisas começaram a ficar realmente ruins”, disse Schreier. “Vemos quatro rodadas massivas de demissões em dois anos, o fechamento de estúdios dentro do guarda-chuva Xbox como a Arkane Austin e a Tango Gameworks — que acabou sendo adquirida pela Krafton, o que salvou o estúdio — e o cancelamento de projetos como Everwild, Perfect Dark e Project Blackbird.”
O período também foi marcado por disputas políticas internas no Xbox, com diferentes divisões e executivos brigando por prioridade. Isso tornou o processo de aprovação de novos projetos significativamente mais difícil, ao mesmo tempo em que a empresa empurrava mais jogos para o PlayStation 5 e o Nintendo Switch na tentativa de ampliar a receita.
“Os últimos dois anos no Xbox foram bem bagunçados. As pessoas começaram a questionar abertamente o Game Pass, dizendo que ele está canibalizando as vendas“, continuou Schreier, fazendo referência aos centenas de milhões de dólares supostamente perdidos ao incluir Call of Duty na assinatura. “O que pode ser bom para o pessoal do Game Pass pode não ser tão bom para os estúdios e para a receita gerada pelos jogos individualmente.”
Fonte: IGN
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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