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“Roda Crysis?”: 12 jogos que destruíam PCs na época

Durante muito tempo, montar um PC capaz de rodar qualquer jogo no máximo parecia uma meta alcançável. Bastava comprar uma boa placa de vídeo, colocar memória suficiente e aproveitar alguns anos antes de pensar novamente em upgrade. Então aparecia algum jogo disposto a acabar com esse planejamento.

Alguns títulos desta lista eram pesados porque estavam realmente à frente do hardware disponível. Outros chegavam ao PC com problemas de otimização que transformavam máquinas caras em verdadeiros campos de teste. E havia ainda aqueles com opções gráficas tão exageradas que nem os componentes mais poderosos do período conseguiam lidar bem com tudo ativado.

Nenhum caso representa isso melhor do que Crysis. O jogo da Crytek foi responsável por popularizar uma pergunta que virou meme e atravessou gerações: “roda Crysis?”. Mas ele está longe de ter sido o único. A seguir, relembramos 12 jogos que fizeram muitos jogadores diminuírem resolução, desligarem sombras e começarem a pesquisar o preço de uma nova placa de vídeo.

12. Far Cry

  • Data de lançamento: 23 de março de 2004
  • Plataformas: PC na versão original; posteriormente recebeu adaptações e relançamentos para consoles

Antes de Crysis, a Crytek já tinha mostrado com Far Cry que não pretendia economizar nos gráficos. Lançado em 2004, o primeiro jogo da franquia apresentava ilhas enormes, vegetação densa, água detalhada e uma distância de renderização que chamava bastante atenção naquele período.

Isso tinha um preço. Os requisitos recomendados da versão para PC citavam processadores na faixa dos 2 GHz, até 1 GB de RAM e placas como GeForce FX 5950 e Radeon 9800 XT. Para colocar isso em perspectiva, estamos falando de um período no qual 512 MB de RAM ainda era perfeitamente normal em muitos computadores domésticos.

Far Cry também funciona como uma prévia do que a Crytek faria poucos anos depois. A obsessão do estúdio por grandes ambientes, iluminação, vegetação e tecnologia de ponta já estava ali.

11. Doom 3

  • Data de lançamento: 3 de agosto de 2004
  • Plataformas: PC; posteriormente Xbox, além de relançamentos para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e outras plataformas

No mesmo ano, a id Software apareceu com outro grande teste para os PCs. Doom 3 apostava pesadamente em iluminação e sombras dinâmicas, algo essencial para a atmosfera escura do jogo e bastante exigente para as GPUs de 2004.

O detalhe mais curioso estava na configuração máxima. Na época, informações técnicas divulgadas sobre o jogo indicavam que a qualidade mais alta poderia aproveitar uma placa de vídeo com 512 MB de memória, quantidade praticamente inexistente no mercado doméstico naquele momento. Para jogar, naturalmente, não era necessário chegar perto disso: o mínimo oficial começava em uma GPU de apenas 64 MB.

Ou seja, Doom 3 era perfeitamente escalável, mas quem queria olhar para todas aquelas sombras no máximo precisava de um PC muito acima da média.

10. F.E.A.R.

  • Data de lançamento: 17 de outubro de 2005 no PC
  • Plataformas: PC, Xbox 360 e PlayStation 3

Hoje, olhar para corredores de escritórios de F.E.A.R. talvez não explique imediatamente por que o jogo era tão pesado. Em 2005, porém, a combinação de iluminação, partículas, física, sombras e efeitos de pós-processamento fazia uma enorme diferença.

A própria GameSpot publicou na época um extenso guia de desempenho descrevendo F.E.A.R. como um jogo faminto por hardware. Um dos maiores responsáveis era a opção de Soft Shadows. Nos testes, desligá-la podia quase dobrar o desempenho, e nem mesmo uma GeForce 7800 GTX (uma placa de altíssimo nível naquele momento) era recomendada para usar o recurso tranquilamente. Em 1600 x 1200, a publicação apontava que apenas configurações com duas GPUs muito poderosas conseguiam lidar bem com as opções mais pesadas.

O próprio jogo incluía um benchmark interno, algo bastante apropriado: durante anos, F.E.A.R. foi utilizado justamente para medir do que novos PCs e placas de vídeo eram capazes.

9. Crysis

  • Data de lançamento: 13 de novembro de 2007 na América do Norte
  • Plataformas: PC; posteriormente PlayStation 3 e Xbox 360, além de uma versão remasterizada para plataformas modernas

Aqui está ele. Quando Crysis chegou em 2007, não bastava perguntar se determinado PC conseguia executar o jogo. A pergunta rapidamente passou a ser outra: “But can it run Crysis?”, ou simplesmente “roda Crysis?” no Brasil.

A reputação não surgiu por acaso. Física, vegetação interativa, partículas, iluminação, água, grandes cenários e objetos destrutíveis eram processados simultaneamente pela CryEngine 2. Até os requisitos recomendados já mencionavam uma GeForce 8800 GTS com 640 MB, uma placa de vídeo bastante cara para a época.

Anos depois, Cevat Yerli, fundador da Crytek e diretor do jogo, explicou que parte disso era intencional. As configurações mais altas foram pensadas também para hardware futuro, de modo que Crysis continuasse melhorando visualmente conforme novos computadores fossem lançados. A ideia funcionou talvez até bem demais: o jogo virou referência mundial para testes de PC.

A Crytek abraçou tanto a piada que Crysis Remastered, lançado em 2020, ganhou uma configuração gráfica máxima chamada literalmente “Can It Run Crysis?”.

8. Grand Theft Auto IV

  • Data de lançamento: 29 de abril de 2008 nos consoles e 2 de dezembro de 2008 no PC
  • Plataformas: PC, PlayStation 3 e Xbox 360

GTA IV entra nesta lista por um motivo diferente de Crysis. Liberty City era extremamente complexa, com muita física, tráfego, pedestres e uma quantidade impressionante de objetos sendo controlados simultaneamente. O problema é que a primeira versão para PC também ficou conhecida pela otimização ruim.

Os requisitos recomendados já pediam um processador Core 2 Quad ou Phenom X3, além de uma GeForce 8600 ou Radeon 3870 com 512 MB. Isso em dezembro de 2008. Mesmo computadores consideravelmente acima dessas especificações podiam sofrer com quedas de desempenho, principalmente ao aumentar distância de visão e detalhes.

É por isso que, até hoje, falar sobre a versão de PC de GTA IV costuma levar imediatamente a discussões sobre mods, configurações e correções feitas pela comunidade.

7. Metro 2033

  • Data de lançamento: 16 de março de 2010 na América do Norte
  • Plataformas: PC e Xbox 360; a versão Redux chegou posteriormente a PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch

Se Crysis era o benchmark de 2007, Metro 2033 rapidamente se tornou um candidato a ocupar esse posto três anos depois. A 4A Games usou seu motor gráfico para trabalhar com iluminação avançada, fumaça, neblina, partículas, profundidade de campo, tessellation e efeitos de DirectX 11. E os requisitos divulgados antes do lançamento deixavam claro até onde o estúdio pretendia chegar.

Para a configuração considerada “ótima”, eram mencionados processador Core i7, 8 GB ou mais de RAM e uma GeForce GTX 480 ou GTX 470. Isso é particularmente curioso porque essas placas estavam chegando ao mercado justamente naquele período. Para muita gente, portanto, rodar Metro 2033 era uma coisa. Rodá-lo realmente no máximo era outra completamente diferente.

O título chegou originalmente ao PC e Xbox 360 em março de 2010. Em 2014, ganhou a versão Metro 2033 Redux, com alterações gráficas e melhorias herdadas de Metro: Last Light.

6. The Witcher 2: Assassins of Kings

  • Data de lançamento: 17 de maio de 2011 no PC
  • Plataformas: PC, Xbox 360, macOS e Linux

Muito antes de Cyberpunk 2077, a CD Projekt Red já tinha uma configuração gráfica capaz de acabar com a taxa de quadros de quase qualquer PC. O nome dela era UberSampling. A opção renderizava a cena várias vezes para produzir uma imagem mais limpa, reduzindo serrilhados e melhorando determinados detalhes.

A diferença visual existia, mas o custo era enorme. Em um guia técnico publicado pela própria Nvidia, o UberSampling reduzia o desempenho em aproximadamente 60% e era descrito como pesado demais para que as GPUs individuais disponíveis naquele momento conseguissem utilizá-lo confortavelmente junto das configurações mais altas. Na prática, muita gente descobriu rapidamente que colocar The Witcher 2 no preset Ultra e simplesmente começar a jogar não era uma boa ideia.

É um caso semelhante ao de Crysis: algumas opções foram incluídas pensando não apenas nos computadores de 2011, mas também no hardware que viria depois.

5. Crysis 3

  • Data de lançamento: 19 de fevereiro de 2013 nos Estados Unidos
  • Plataformas: PC, PlayStation 3 e Xbox 360

Crysis 2 havia sido desenvolvido também pensando nos consoles, o que levou parte do público de PC a considerar o jogo menos impressionante tecnicamente que o primeiro. Com Crysis 3, a Crytek voltou a aumentar bastante a carga gráfica. As especificações de alto desempenho citavam 8 GB de RAM, Core i7-2600K e GeForce GTX 680, além de equivalentes da AMD.

Estamos falando de uma das placas mais rápidas disponíveis naquele período. Tessellation, partículas, texturas de alta resolução, física e iluminação avançada ajudavam a justificar o peso. Em um teste realizado pela GameSpot anos depois, mesmo um computador equipado com múltiplas GTX 980 ainda encontrou situações pesadas ao tentar executar o jogo com tudo elevado.

O primeiro Crysis ficou com o meme, mas Crysis 3 manteve a tradição da franquia de servir como teste para PCs caros.

4. Batman: Arkham Knight

  • Data de lançamento: 23 de junho de 2015
  • Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One; posteriormente Nintendo Switch

Batman: Arkham Knight é provavelmente o exemplo mais claro nesta lista de um jogo que “destruía PCs” pelos motivos errados. As versões de console chegaram em condições bem diferentes, enquanto o lançamento para Windows apresentou problemas de desempenho, travamentos, stuttering e outras falhas técnicas.  A situação ficou tão ruim que a Warner Bros. suspendeu temporariamente as vendas da versão para PC menos de 48 horas depois do lançamento.

O jogo passou meses recebendo correções antes de retornar às lojas. Mesmo depois das atualizações, ele ainda podia ser extremamente pesado. Em um teste publicado pela GameSpot em 2016, Arkham Knight registrou média de apenas 18 FPS na máquina utilizada pela publicação, com quedas particularmente fortes durante o uso do Batmóvel.

Hoje a situação é muito melhor, mas quem tentou jogar no PC em junho de 2015 provavelmente não esqueceu tão cedo.

3. Red Dead Redemption 2

  • Data de lançamento: 26 de outubro de 2018 nos consoles e 5 de novembro de 2019 no PC
  • Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One e Stadia

Quando Red Dead Redemption 2 finalmente chegou aos computadores, a Rockstar entregou muito mais opções gráficas do que simplesmente uma versão dos presets utilizados no PS4 e Xbox One. A edição para PC permitia mexer em quase 40 configurações diferentes, incluindo qualidade volumétrica, sombras, reflexos, água, iluminação e distância de renderização.

A própria Nvidia descrevia a possibilidade de elevar os gráficos a níveis “Ultra” extremamente pesados e recomendava ajustar individualmente algumas dessas opções em busca de uma taxa de quadros adequada. Os requisitos recomendados oficiais listavam uma GTX 1060 de 6 GB ou Radeon RX 480, 12 GB de RAM e Core i7-4770K/Ryzen 5 1500X. Isso bastava para jogar, mas não significava colocar todos aqueles controles à direita.

Em resoluções altas e com os parâmetros avançados no máximo, Red Dead Redemption 2 virou rapidamente outro ótimo jogo para descobrir até onde uma GPU conseguia chegar.

2. Cyberpunk 2077

  • Data de lançamento: 10 de dezembro de 2020
  • Plataformas no lançamento: PC, PS4, Xbox One e Stadia; posteriormente PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e macOS

Se existiu um candidato moderno ao posto de “novo Crysis”, Cyberpunk 2077 certamente entrou na disputa. No PC, Night City reunia grandes quantidades de NPCs, iluminação complexa, reflexos e, principalmente, ray tracing. Antes do lançamento, a Nvidia indicava RTX 3070 ou RTX 2080 Ti para jogar a 1440p com ray tracing elevado. Para 4K com os efeitos mais pesados, RTX 3080 e RTX 3090 apareciam como as opções indicadas.

O jogo ainda continuou aumentando sua exigência depois de lançado. Atualizações posteriores trouxeram o modo Ray Tracing: Overdrive, com path tracing, elevando novamente a barra de hardware. Nas especificações mais recentes desse modo, a CD Projekt indica uma RTX 4080 para uma experiência de 4K e 60 FPS dentro das condições definidas pela empresa.

Naturalmente, é possível jogar Cyberpunk 2077 em máquinas muito mais simples. O ponto é que, assim como Crysis, seu teto gráfico foi colocado bem acima do necessário para simplesmente aproveitar o jogo.

1. Alan Wake 2

  • Data de lançamento: 27 de outubro de 2023
  • Plataformas: PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S

Mais de 15 anos depois de Crysis, a discussão sobre um jogo estar “pesado demais” voltou com força antes do lançamento de Alan Wake 2. Os requisitos originais causaram bastante repercussão. No PC, uma RTX 2060 ou Radeon RX 6600 aparecia como ponto de entrada para jogar em 1080p, qualidade baixa e 30 FPS, recorrendo ainda a tecnologias de reconstrução de imagem. O jogo também fazia uso intenso de recursos modernos de renderização e possuía opções de ray tracing particularmente exigentes.

A Remedy continuou trabalhando na tecnologia depois do lançamento. Em março de 2024, uma atualização otimizou o renderizador para placas sem suporte adequado a mesh shaders e permitiu reduzir o requisito mínimo para uma GTX 1070 ou Radeon RX 5600 XT. Atualmente, a Epic Games Store lista justamente essas GPUs como mínimo, enquanto RTX 3060 e RX 6600 XT aparecem entre as recomendações.

Isso também mostra como a ideia de um “PC killer” mudou. Em 2004, a preocupação era ter VRAM suficiente para carregar texturas e sombras de Doom 3. Em 2023, entram na conversa mesh shaders, ray tracing, reconstrução de imagem e SSD.

De Doom 3 a Alan Wake 2, o PC nunca deixou de ter seus testes de fogo

Nem todos esses jogos foram pesados pelo mesmo motivo. Crysis, Metro 2033 e The Witcher 2 colocavam opções gráficas deliberadamente acima da capacidade da maior parte do hardware disponível. Batman: Arkham Knight e GTA IV, por outro lado, ganharam parte da fama por problemas relacionados à versão de PC.

Existe também uma diferença importante entre rodar um jogo e rodá-lo no máximo. Vários títulos desta lista funcionavam perfeitamente depois de reduzir uma ou duas opções que consumiam uma quantidade enorme de desempenho por uma melhoria visual relativamente pequena.

Talvez seja justamente por isso que a frase “roda Crysis?” tenha sobrevivido por tanto tempo. Ela deixou de ser apenas uma pergunta sobre o jogo da Crytek e acabou se tornando uma maneira de perguntar algo que os jogadores de PC continuam fazendo até hoje: até onde esse computador realmente aguenta?


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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