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Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000

Antes de a banda larga chegar a uma parcela maior das casas brasileiras e de computadores capazes de rodar jogos se tornarem mais acessíveis, havia uma alternativa bastante popular: pagar algumas horas em uma lan house.

Esses estabelecimentos serviam para acessar MSN e Orkut, imprimir trabalhos e navegar na internet, mas muitos deles também se transformaram em pontos de encontro para jogadores. Counter-Strike, MMORPGs e jogos de estratégia aproveitaram especialmente bem a combinação de vários computadores conectados e uma conexão melhor do que aquela disponível em muitas residências.

A importância desses locais para os jogos online foi tamanha que a Level Up, uma das principais publicadoras do período, chegou a trabalhar com mais de 10 mil lan houses credenciadas no Brasil para disponibilizar seus títulos e comercializar créditos.

Alguns dos jogos abaixo foram lançados ainda no final dos anos 1990, mas continuaram extremamente presentes durante a década seguinte. A seleção não pretende estabelecer um ranking absoluto, e sim reunir títulos que ficaram particularmente associados às lan houses brasileiras. Então confira 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000.

1. Counter-Strike 1.6 (ou versões anteriores)

Counter-Strike-1.6 Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Counter-Strike 1.6

É difícil encontrar outro jogo tão diretamente ligado às lan houses brasileiras quanto Counter-Strike. Nascido como uma modificação de Half-Life e transformado em um produto oficial pela Valve em 2000, o FPS caiu como uma luva para estabelecimentos com vários computadores conectados em rede.

Bastava reunir dois times para transformar uma fileira de PCs em uma partida entre terroristas e contraterroristas. Mapas oficiais como Dust2 conviviam com criações que se espalhavam entre jogadores brasileiros, e jogar contra alguém sentado a poucos metros de distância fazia parte da experiência.

As lan houses também tiveram participação no nascimento do cenário competitivo brasileiro de Counter-Strike. Antes de grandes arenas, transmissões profissionais e premiações milionárias, muitos jogadores treinavam e disputavam campeonatos nesses espaços.

2. Ragnarök Online

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Ragnarök Online

Se Counter-Strike dominava muitas das partidas rápidas, Ragnarök Online era capaz de fazer o jogador comprar mais algumas horas para continuar evoluindo o personagem.

A Level Up iniciou suas operações brasileiras com Ragnarök em 2004 e apostou justamente nas lan houses para alcançar jogadores que ainda enfrentavam conexões domésticas lentas ou sequer tinham computador em casa. Em 2005, a Folha de S.Paulo já registrava mais de 800 mil brasileiros que haviam experimentado o MMORPG.

Guildas, guerras entre jogadores, equipamentos raros e a evolução das diferentes classes ajudavam a criar comunidades que continuavam existindo fora do jogo. Algumas lan houses também vendiam os cartões e créditos usados para pagar pelo acesso ao MMORPG.

3. GunBound

GunBound Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
GunBound

GunBound também se tornou presença comum nos computadores brasileiros durante a primeira metade dos anos 2000. Em vez de exigir reflexos rápidos, o jogo colocava os participantes em combates por turnos nos quais era preciso calcular força, direção e até a influência do vento antes de disparar.

O formato funcionava especialmente bem para grupos de amigos, já que boa parte da partida envolvia observar o adversário tentando acertar um tiro complicado. A popularidade brasileira foi suficiente para a Ongame administrar uma operação dedicada ao país durante quase seis anos, até maio de 2010.

O modelo gratuito também facilitava bastante sua presença em lan houses: era possível criar uma conta e começar a jogar sem precisar comprar uma cópia completa.

4. Tibia

Tibia Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Tibia

Tibia parecia simples até mesmo para os padrões da época, mas isso acabou sendo uma vantagem. Lançado originalmente em 1997, o MMORPG rodava em computadores modestos e exigia pouco graficamente.

Durante os anos 2000, isso ajudou a colocá-lo tanto em PCs domésticos quanto em lan houses, onde os jogadores podiam passar horas caçando criaturas, aumentando níveis e acumulando equipamentos.

O envolvimento de brasileiros era considerável. Uma reportagem da Folha publicada em 2006 já tratava da negociação de personagens e itens de Tibia entre jogadores do país, mostrando como as contas tinham adquirido valor para quem dedicava centenas de horas ao MMORPG.

5. Grand Theft Auto: San Andreas

Grand-Theft-Auto-San-Andreas Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Grand Theft Auto: San Andreas

Nem tudo o que fazia sucesso em lan house precisava ser um jogo online. Grand Theft Auto: San Andreas era uma alternativa para quem queria aproveitar um computador melhor do que aquele disponível em casa ou simplesmente não possuía um PC capaz de rodar o jogo.

Missões acabavam dividindo espaço com sessões nas quais o objetivo era apenas explorar San Andreas, testar códigos, roubar carros ou provocar perseguições policiais. O grande número de atividades e a liberdade oferecida pelo jogo faziam com que duas pessoas sentadas lado a lado pudessem passar a hora contratada fazendo coisas completamente diferentes.

E havia um problema bastante particular desse tipo de ambiente: encontrar o seu save intacto na próxima visita nem sempre era garantido.

6. Need for Speed: Underground 2

Need-for-Speed-Underground-2 Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Need for Speed: Underground 2

Outro jogo single-player que aparecia com frequência era Need for Speed: Underground 2. O título da Electronic Arts combinava corridas de rua com uma quantidade enorme de opções de personalização. Pinturas, rodas, aerofólios, desempenho e, claro, os famosos neons podiam transformar completamente cada veículo.

Nas lan houses, parte da diversão estava justamente em comparar carros e mostrar modificações para quem estava utilizando o computador ao lado. O jogo também não dependia de conexão constante, o que ajudava a torná-lo uma opção interessante para estabelecimentos nos quais nem todos estavam interessados em MMORPGs ou FPS competitivos.

7. MU Online

MU-Online Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
MU Online

Entre os MMORPGs, MU Online ocupava uma posição bastante particular. Visualmente, ele chamava atenção pelos personagens com armaduras cada vez mais exageradas, asas enormes e efeitos luminosos. Na prática, boa parte do tempo era dedicada a derrotar enormes quantidades de inimigos para ganhar experiência, conseguir equipamentos melhores e fortalecer o personagem.

As lan houses também acabaram ajudando a popularizar outro elemento associado ao jogo: os servidores privados. Cada servidor podia adotar taxas diferentes de experiência, equipamentos próprios e regras específicas, fazendo com que grupos inteiros migrassem juntos para a mesma versão.

8. Grand Chase

Grand-Chase Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Grand Chase

A chegada de Grand Chase ao Brasil em 2006 deu à geração das lan houses mais um jogo gratuito para ocupar dezenas de horas. Em vez da estrutura tradicional dos MMORPGs da época, o título da KOG adotava combate lateral e partidas que misturavam ação, progressão de personagens e elementos de RPG.

Era possível participar de missões cooperativas ou simplesmente entrar no PvP contra outros jogadores. O jogo alcançou uma popularidade particularmente grande por aqui. Retrospectivas sobre Grand Chase destacam o Brasil como um dos mercados em que o título mais se destacou, principalmente durante o período das lan houses.

Elesis, Lire, Arme, Lass e os personagens adicionados posteriormente acabaram se tornando nomes bastante conhecidos entre uma geração de jogadores brasileiros.

9. Warcraft III — e o começo de DotA

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Warcraft III DotA

Warcraft III: Reign of Chaos chegou em 2002 oferecendo campanha, estratégia em tempo real e partidas multiplayer, mas o editor de mapas ajudou o jogo a ganhar uma vida muito maior do que aquela imaginada inicialmente. Foi nesse ambiente que Defense of the Ancients, o DotA, cresceu.

O mapa personalizado transformava Warcraft III em uma disputa entre equipes controlando heróis individuais, com evolução durante a partida, equipamentos e diferentes funções. Nas lan houses, era uma combinação quase perfeita: dez jogadores podiam ocupar máquinas próximas e organizar partidas inteiras dentro do estabelecimento.

DotA acabou se tornando um dos responsáveis pela popularização das bases do gênero que posteriormente seria conhecido como MOBA.

10. Quake III Arena

Quake-III-Arena Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Quake III Arena

Antes mesmo de Counter-Strike assumir grande parte dos computadores, Quake III Arena já mostrava como um FPS poderia funcionar muito bem em um ambiente no qual todos estavam conectados à mesma rede.

Lançado em 1999, o jogo da id Software foi construído com enorme ênfase no multiplayer. As partidas eram muito mais velozes do que as de Counter-Strike, com saltos, armas espalhadas pelos mapas e jogadores reaparecendo rapidamente após morrer.

Outro ponto importante era o desempenho. Quake III podia ser configurado para funcionar em máquinas relativamente modestas, característica especialmente útil para uma lan house que precisava manter vários computadores rodando o mesmo jogo ao mesmo tempo.

11. Age of Empires II

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Age of Empires II

Nem todo grupo queria passar a tarde trocando tiros. Age of Empires II representava outro tipo de disputa: partidas de estratégia que podiam consumir uma parcela considerável das horas compradas.

Cada participante começava desenvolvendo sua própria civilização, coletando recursos e expandindo a base antes de descobrir exatamente o que os adversários estavam preparando. Em rede local, isso criava partidas longas nas quais alianças temporárias e ataques inesperados faziam parte da conversa entre quem estava sentado nas máquinas.

A franquia Age of Empires é frequentemente citada entre os jogos de estratégia que ajudaram a popularizar as partidas multiplayer nas lan houses brasileiras.

12. GunZ: The Duel

GunZ-The-Duel Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
GunZ The Duel

Quem jogava GunZ: The Duel, também conhecido no Brasil simplesmente como The Duel, rapidamente descobria que correr e atirar era apenas o começo. O título misturava armas de fogo, espadas, corridas pelas paredes e movimentos acrobáticos.

Com o tempo, a comunidade desenvolveu técnicas avançadas que combinavam diferentes comandos em alta velocidade, criando uma diferença enorme entre jogadores iniciantes e veteranos. A Level Up trouxe The Duel ao Brasil em julho de 2006.

Segundo a própria empresa em retrospectiva publicada anos depois, o jogo teve grande sucesso no país e esteve entre os primeiros shooters online distribuídos por ela a atingir fortemente o público brasileiro.

13. Battlefield 2

Battlefield-2 Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Battlefield 2

Quando uma lan house possuía máquinas capazes de rodá-lo bem, Battlefield 2 oferecia um tipo diferente de partida multiplayer. O FPS de 2005 colocava infantaria, tanques, helicópteros e aviões no mesmo campo de batalha, com mapas grandes e partidas baseadas na captura de pontos. A escala era bem diferente das rodadas compactas de Counter-Strike.

A franquia Battlefield aparece ao lado de Counter-Strike, Warcraft e Age of Empires entre as sagas lembradas pela popularidade nos estabelecimentos brasileiros. Para grupos maiores, poucos jogos da época aproveitavam tão bem uma sala cheia de computadores conectados.

14. Lineage II

Lineage-II Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Lineage II

Lineage II atendia principalmente quem procurava um MMORPG de aparência mais realista e batalhas em grande escala. O jogo chegou originalmente em 2003 e ficou conhecido pela progressão demorada, pelas diferentes classes e por sistemas de clãs que podiam levar a disputas entre grupos de jogadores.

Como outros MMORPGs da época, também ganhou uma grande quantidade de servidores alternativos com configurações próprias. Para quem dependia de lan house para jogar, sessões de uma ou duas horas podiam facilmente virar visitas recorrentes para continuar evoluindo o mesmo personagem durante semanas ou meses.

15. Priston Tale

Priston-Tale Só quem viveu sabe: 15 jogos que eram febre nas lan houses brasileiras nos anos 2000
Priston Tale

Priston Tale fecha a lista como outro representante importante da invasão de MMORPGs sul-coreanos que ocorreu no Brasil durante os anos 2000. Mesmo antes de receber uma versão brasileira oficial, o jogo já tinha mais de 200 mil jogadores do país cadastrados na edição em inglês.

Em 2005 começou a preparação de uma versão totalmente em português e, no início de 2006, o acesso passou a ser gratuito, sustentado pela venda de itens. Seus gráficos totalmente em 3D ajudavam a diferenciá-lo de jogos como Ragnarök e Tibia.

Anos depois, o UOL ainda o descrevia como um dos MMORPGs sul-coreanos que se tornaram sucesso no Brasil durante a era das lan houses.

As lan houses também ajudaram a formar a cultura dos jogos online no Brasil

O sucesso desses jogos não aconteceu apenas porque havia computadores disponíveis. Lan houses permitiam que pessoas que não possuíam uma boa conexão ou um PC adequado participassem de comunidades online, encontrassem outros jogadores e tivessem contato com títulos que talvez não conseguissem jogar em casa.

Empresas do setor perceberam isso rapidamente. A Level Up chegou a credenciar mais de 10 mil estabelecimentos no país, enquanto jogos como GunBound, Ragnarök, Grand Chase e Priston Tale receberam operações ou versões voltadas especificamente para o público brasileiro durante o período.

A redução da importância das lan houses ocorreu gradualmente com a expansão da internet residencial e a maior presença de computadores nas casas. Ainda assim, para quem jogava no Brasil nos anos 2000, boa parte da história do multiplayer no PC passou por uma fileira de máquinas cobradas por hora.


📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio

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