Shawn Layden diz que o Xbox precisa escolher: ser publicadora ou apostar em exclusivos
O Xbox precisa tomar uma decisão de uma vez por todas: ou se consolida como uma grande publicadora multiplataforma, ou aposta de verdade em ser uma plataforma de hardware com exclusivos capazes de sustentar o ecossistema.
A cobrança veio de Shawn Layden, ex-presidente do PlayStation, em entrevista ao Eurogamer. O recado foi endereçado diretamente a Asha Sharma, atual liderança do Xbox, e resume uma das críticas mais recorrentes à estratégia da Microsoft nos últimos anos.
“Há dois caminhos”, afirmou Layden. O primeiro é “ser um rival competitivo de plataforma no mercado com a PlayStation”. O segundo é “a maior publicadora de jogos do mundo, que com base em todas as suas aquisições, ou já chegaram lá ou estão muito perto”.
A incoerência fica evidente no histórico recente, pois a Microsoft apostou pesado em levar seus jogos para o PS5, mas recuou em seguida, com Gears of War E-Day sendo confirmado como exclusivo de console Xbox. Para Shawn Layden, a lógica de cada caminho é clara e incompatível com a do outro.
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“Para ser uma plataforma e ser uma plataforma bem suportada, bem aceita e com boas vendas, você precisa de conteúdo exclusivo”, explicou. “A Nintendo precisa do seu Mario e do seu Zelda, e o PlayStation precisa de Crash Bandicoot, Astro Bot, Kratos e Horizon, tudo isso.”
Vale notar que o Crash Bandicoot pertence hoje ao portfólio da Microsoft, adquirido junto com a Activision Blizzard, mas foi o mascote não oficial da PlayStation nos seus primeiros anos. A lógica inversa também se aplica:
“Se você vai ser a maior publicadora do mundo, o que não é uma má ambição, tenho certeza de que há ouro nessa montanha, você tem que trazer seus jogos para todas as plataformas. Ser multiplataforma é quase um pré-requisito”, completou Layden.
Shawn Layden falou também a partir da própria vivência à frente dos estúdios do PlayStation. Segundo ele, mesmo no melhor ano sob seu comando, títulos first-party nunca ultrapassou cerca de 22% de participação de mercado, com o restante sendo dominado pelas grandes publicadoras third-party.
“Como plataforma first-party, nosso trabalho era quase não ser a maior publicadora de jogos do mundo”, disse. “Eu não fazia jogos para roubar fatia de mercado da EA ou da Activision. Meu trabalho era fazer jogos que tornassem o bolo maior, e minha oportunidade estava em expandi-lo.”
O cenário atual do Xbox, porém, está longe de transmitir essa clareza de propósito. Desde a aquisição da Activision Blizzard, a Microsoft já realizou cinco rodadas de demissões em massa nos seus estúdios.
Fonte: GamesRadar
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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