“Não iremos migrar para a Unreal Engine”: id Software confirma que não vai abandonar sua engine própria
A id Tech não vai a lugar nenhum. Em meio a especulações geradas pelas recentes demissões em massa que atingiram a id Software, o produtor executivo Marty Stratton veio a público para deixar claro: o estúdio não vai abandonar sua engine proprietária em favor da Unreal Engine 5. A declaração foi dada ao portal Windows Central e encerra, ao menos por enquanto, os rumores de que a equipe por trás de DOOM poderia ceder à tendência que varre a indústria.
“Estamos totalmente comprometidos com a id Tech; não estamos migrando para a Unreal Engine. Tivemos uma reunião ontem com cinco ou seis diretores de tecnologia; às vezes você queria que o público pudesse ter estado naquela reunião de tecnologia para ver a empolgação em torno de algumas dessas coisas. Não acho que as pessoas devem se preocupar; vamos continuar sendo uma potência tecnológica daqui para frente”, afirmou Stratton.
As demissões e o futuro do estúdio
A id Software foi um dos estúdios mais afetados pelo ciclo de demissões do Xbox, com relatos de que membros-chave da equipe de engenharia foram desligados, em especial a equipe mais associado à manutenção e evolução da engine interna. Ainda assim, relatórios do mês passado já indicavam que a Xbox pretendia manter o estúdio trabalhando em sua tecnologia própria, o que agora é confirmado pela própria liderança criativa.
Stratton, que está na id Software há 26 anos, jogou na mesa um dado histórico para ilustrar a resiliência do estúdio: Doom 3, lançado em 2004, foi desenvolvido com apenas 19 funcionários. Quando o executivo entrou na empresa, o time inteiro tinha 12 pessoas. O recado é direto, o estúdio já operou em condições enxutas e entregou obras de referência.
“Por mais difícil que tenha sido, ao longo do último mês, ver amigos e colegas de longa data partirem… Quando eu comecei, éramos 12 pessoas. Terminamos o Doom 3 com 19. Sei que faz muito tempo, que é um jogo antigo. As coisas mudam; passamos por muitas transições, mas cada projeto de desenvolvimento é diferente em função dessa combinação de pessoas, capacidade tecnológica e ambição de design. E eu realmente acredito na capacidade do nosso time de criar trabalhos incríveis daqui para frente”, declarou Stratton.
QuakeCon como combustível
O executivo também destacou o papel que a recente QuakeCon teve na moral interna do estúdio. O contato direto com a base de fãs funcionou como um reforço de ânimo num momento particularmente pesado para a equipe.
“Foi bom poder compartilhar com os participantes que, sabe, ‘ei, estamos bem. Está difícil, mas vamos seguir em frente.’ Sempre perseveramos como estúdio. Vamos fazer isso de novo, vamos continuar fazendo ótimos jogos com ótima tecnologia. E, como sempre, realmente apreciamos a paixão e o apoio que eles nos trazem e o combustível que isso nos dá”, disse Stratton.
O peso histórico da id Tech com uma das melhores engines
A decisão de manter a id Tech não é trivial. O legado tecnológico da id Software é parte fundamental da história dos games: a engine alimentou títulos que vão de Quake a Call of Duty, e até o Half-Life foi construído sobre um fork da tecnologia, batizado de GoldSrc. Abrir mão disso em favor de uma solução padrão da indústria seria, para muitos, um sinal de enfraquecimento de uma identidade que a empresa carrega desde os anos 90. Por ora, essa identidade segue preservada.
A versão atual da id Tech já se mostrou ser uma engine extremamente competente, especialmente para jogos de tiro em primeira pessoa. Seus principais pontos fortes são o excelente desempenho, tecnologias avançadas de renderização, resposta rápida durante o gameplay e boa escalabilidade entre diferentes configurações de hardware.
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Fonte: GamingBolt
📰 Notícia originalmente publicada em GameVicio
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